sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Flórida - Um estado bacana para ficar " agarrado".

Ficar agarrado na Florida não estava nos planos, mas já faz mais de duas semanas que estou no estado do Mickey Mouse, e parece que vou ficar aqui por um bom tempo ainda. Estou esperando conseguir o certificado de exportação para o avião pra conseguir vende-lo no  Brasil e essa semana eu descobri que é possivel que eu fique agarrado por mais de um mês. 
Na primeira semana aluguei um carro para levar Adam no aeroporto de Tampa. Reservei o mais econômico pela internet e quando fomos buscar o carro, o econômico não estava disponível e eles tiveram que nos dar o que tinham: Um mustang, novo em folha por $27 por dia. Nada mal, e lá vou eu buscar um lugar barato para dormir em tampa e encontro o albergue do vovô. Esse foi um dos hosteis mais legais que conheci. O quarto coletivo era dentro de um ônibus antigo e entre os viajantes conheci um bocado de gente boa, incluindo um piloto da forca aérea francesa, o vovô, dono do albergue, umas garotas e Dominik, um suíço com quem fui conhecer a disney e praias incríveis como Siesta Key e Daytona Beach. Confesso que ficar agarrado aqui tem sido bem interessante. Através da ajuda de pessoas do couchsurfing, tenho explorado a costa da Flórida banhada pelo Golfo do México. Nos últimos dias tenho andado a cavalo, kayak, trekking, encontrei e nadei com peixes-boi selvagens em um rio de água cristalina, pedalei dezenas de quilômetros entre cidades costeiras, pilotei, ganhei uma carona de helicóptero até Miami, entre outras coisas. São tantos encontros e tantos casos acumulados principalmente no lado não tão conhecido da Flórida, que eu não sei por onde começar e acabo procrastinando em compartilhar aqui no blog. Por enquanto vai esse "resumo" mesmo...


Essa é a baleia orca que matou uma treinadora um tempo atrás no Sea World em Orlando.  Várias controvérsias surgiram  com relação à qualidade de vida desses animais em cativeiro, mas conversando com uma funcionária do parque eu tive uma versão (boa de se acreditar) do que aconteceu. A treinadora estava com um rabo de cavalo diferente no cabelo, a baleia pensando que era um outro brinquedo à agarrou e à levou para a água sem que ela tivesse tempo de respirar. Foi uma fatalidade. Eles tem a política de ensinarem os animais apenas com recompensa, e acabam fazendo um show surpreendente. O que mais me impressionou é a sincronia dos saltos e dos números com as músicas. É de arrepiar! Mas realmente dá a impressão de que elas vivem numa banheira... (Sea World, Orlando, Fl)
Para quem cresceu andando a cavalo, não é de se admirar me vendo em cima de um cavalo, sem freios. Já andei um punhado de vezes até sem cela. Mas dessa vez, tive que reaprender a andar a cavalo. Esse da foto, de um couchsurfer em Tampa foi treinado com uma incrível técnica chamada de parelli, que se baseia numa relação de profundo respeito e carinho entre o homem e o animal. Para se ter uma idéia, para freiar o bicho eu só tenho que que relaxar a barriga (a minha!) e as costas e expelir o ar. Virar? É só mover meu rosto e corpo levemente para o lado desejado. (Wesley Chapel, Fl)
Estava à um metro desse peixe-boi tomando fotos quando ele saiu da água pra respirar, me viu, se aproximou, deixou que eu o acariciasse por uns 10 minutos! Eu acabei pulando na água para nadar com eles. Reparem como a água é cristalina. Isso não é não é um cativeiro onde se paga uma fortuna para se ter uma experiência dessas. Até o caiaque foi emprestado. Mas claro, tem que contar com a sorte para encontrar com essas criaturas no rio. (Crystal River, Fl)


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

De repente me vi na América Latina... sem sair dos EUA!

Sair de Austin sem assistir nenhuma apresentação musical me deixou uma sensação de vazio que recuperei quando cheguei em New Orleans, em Lousiana. Que cidade viva! Em plena segunda-feira pela noite a cidade fervia. Em quase todos restaurantes no "french quarter" se podia ouvir ao vivo o jazz que vinha dos saxofones, contra-baixos e pianos. Muitos deles não cobram cover, e os preços das comidas crioulas eram bem razoáveis. Acabei jantando feijão, arroz e frango, bem à moda latina, mas com uma dose de pimenta acima do que eu tolero. Mas como eu estava faminto acabei comendo metade da generosa porção com boas doses de água e um ponche de rum. Valeu muito à pena pela música que nos prendeu naquele restaurante por quase duas horas. Quando saímos pensamos que a cidade estaria morta (segunda-feira, quase 10 horas da noite), mas uma caminhada na Rue Bourbon me deixou surpreso. Não sei se era devido a um jogo de futebol americano que acontecia na cidade aquela hora, mas as ruas estavam ainda cheias de vida. Artistas cantavam, dançavam. Amigos bebiam e curtiam o movimento da noite das varandas das típicas casas de dois andares onde foliões energizam as ruas no famoso carnaval de New Orleans: Mardi Grass. Clubes de Strip-tease em cada esquina e todos os tipos de bares. A influência africana, francesa e espanhola e a cultura que encontramos com frequência nos países latinos estavam em todos os cantos: Na comida, nas construções cheias de cores, na cor negra da população, nas ruas antigas, desnivelas e cheio do verde das frondosas árvores. Durante todo o tempo eu via alguma coisa e me imaginava em cidades como Havana e Rio de Janeiro. A única  coisa que não combinava com aquela cidade naqueles dois dias, era o frio. Desde que partimos de Phoenix estivemos pegando uma carona nas "costas" de uma frente fria. Ela passa na frente faz sua tempestade e deixa sua bonança pra trás, com lindos céus azuis e talvez ventos favorecendo nosso rumo de voo, mas também as baixas temperaturas. 
No voo de Austin à New Orleans descobrimos que no nivel de voo de 11 mil e 500 pés, bem acima do que estamos acostumados e precisávamos, podíamos ganhar um bom empurrão dos ventos. A assim subi para aquele nível de voo onde fomos constantemente avisados da presença dos gigantes de linha aérea que se aproximavam e decolavam do aeroporto internacional de Houston. Por horas vi o cessninha voando a 170 nós (315km/h) quando numa situação sem vento ele cruzaria normalmente a 100 nós (185km/hr). Nesse voo turbinado chegamos na Louisiana bem mais rápido que o planejado mas ainda assim, quando chegamos já era noite. 
Mais um por de sol surpreendente no golfo do México me alimentaria com a serenidade que eu precisaria para pousar com segurança no aeroporto onde os ventos estavam rajando a 33 nós! Uma pequena amostra (bem pequena) do que o vento é capaz principalmente na cidade que alguns anos atrás foi devastada pelo furacão Katrina. Ainda que o vento estivesse alinhado com a pista, não foi um pouso fácil, porque o vento era inconstante e as rajadas faziam o cesninha parecer uma pluma. Mas minha mão direita estava firme no acelerador pronto para uma arremetida e acompanhando o vai e vem da força do vento. O toque com o chão foi um "pouco mais selvagem" do que eu estou acostumado, mas foi tudo dentro dos limites da nossa segurança (e conforto). No dia seguinte, quando pousei em Pensacola, na Flórida, com rajadas a 18 nós, confesso que pensei que seria fichinha. E foi! Mas eu tento lembrar que são nessas situações onde o excesso de confiança pode aparecer como um inimigo, e me forço a lembrar que sou apenas um piloto privado, de fraldas. 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Um grande deserto chamado: Texas


El Paso ficou pra trás e o deserto montanhoso também. Entrava em cena o deserto plano, sem graça. Quase 4 horas de voo nos levou até El Dorado, uma cidadela no meio do nada, onde pousamos para abastecer junto com o por do sol. De lá seguimos para Austin, onde já de noite pousamos no aeroporto internacional.
Se Texas tem uma estrela que brilha, essa parece ser Austin, a capital. Essa cidade cheira a arte, música, juventude. Junto com um viajante que conhecemos no albergue onde nos hospedamos fomos assisitr o filme do Sigur Ros, uma banda islandesa, que eu curto bastante. Por não ter tido tempo de conferir nada ao vivo, deixei Austin pra trás com a sensação de que faltava alguma coisa.
Abastecendo em El Dorado, no meio do nada.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

El Paso, uma cidade americana, mexicana.

El Paso e Ciudad Juarez, divididas por um muro

"Dona Ana Tráfego, November 55473, 5 milhas à oeste aproximando para pouso, pista 100, Dona Ana" Após essa frase padrão para pouso em um aeroporto sem torre de controle, tenho a surpresa de escutar meu nome no rádio: "É o Gustavo na final?". "Afirmativo" respondi rindo. Era o cara do couchsurfing que me hospedaria em El Paso. Carlos, que também é piloto, estava voando quando me escutou no rádio e pousou logo atrás de mim. 
Eu sempre digo que a maior riqueza que encontro nas viagens são as pessoas, mas se eu fosse escrever sobre cada uma que eu encontrasse isso seria um blog de homenagens, não um blog de viagem. Mas Carlos é o perfeito exemplo de como vale à pena usar o couchsurfing.org para se hospedar de graça. A idéia não é somente dormir sem pagar nada, mas conhecer de perto o povo e a cultura de algum lugar. E ninguém melhor do que um mexicano, como o meu anfitrião, para se hospedar em El Paso. A cidade está colada na mexicana Ciudad Juarez, estão separadas por um muro apenas. Se eu vacilasse um pouquinho eu podia ter acabado pousando num aeroporto do México. E parece que todos do lado americano também são mexicanos. Até a polícia de fronteira, por incrível que pareça, tem traços mexicanos. 
Carlos sempre amou aviação e é um exemplo de alguém que com muita garra e dificuldades tem realizado seu sonho de voar. Quando chegou nos EUA sem poder trabalhar legalmente, se ofereceu para esfregar banheiros no aeroporto local só para estar perto dos aviões, e seus serviços acabaram se tornando horas de voo, e hoje, ele já tem suas quase 500 horas de voo. Ele parece um personagem de sedenho animado. Divide um pequeno apartamento com sua irmã, e dorme literalmente, dentro de um closet. Mas parece nunca reclamar de nada, fala que nem maritaca e diverte qualquer pessoa com um sorrisão estampado na cara. Até quando se acidenta. Após um churrasco com seus amigos, já pela noite, Carlos cai do skate e esborracha a cara no chão, ensanguentado, Carlos continua rindo e fazendo piadas. Mas sua irmã o leva para casa com Adam e ela acabou me deixando numa festa de uns indianos, amigos de Carlos e no fim das contas acabei dormindo no sofá dos amigos tchecos de Carlos. Quanta diversidade cultural! 
No dia seguinte um voo pelo deserto nos levaria até Austin, no Texas. É impressionante sobrevoar El Paso e a Ciudad Juarez e ver claramente a divisa dos dois países. Essa cidade mexicana é considerada uma das mais perigosas do mundo, e lá de cima parecia uma gigantesca favela a se perder de vista no horizonte seco e árido.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A pedra nossa de cada dia nos dai hoje.

Formações rochosas vistas durante o voo de Prescot à Phoenix, no estado de Arizona
Ontem aqui nos EUA foi o dia do agradecimento, ou dia de Ação de Graças. É um feriado onde as famílias se reúnem para agradecer, originalmente para agradecer as colheitas da temporada verde que o inverno pouco a pouco vai desbotando. Mas como esse é um país livre cada um agradece o que quiser. Uns agradecem à Deus pela vida, outros à vida pelo Deus. Uns pelo peru assado na mesa e também pelo facebook nosso de cada dia. Se você não é agradecido pelo que tem (não somente no sentido de possuir fisicamente), aqui nos Estado Unidos se usa a expressão "take for granted" ou seja, você está "tomando por garantido" o que tem ou não esta dando o valor merecido. 
É lindo ver as pessoas agradecendo pela família reunida, pelo rango na mesa, pela saúde e pelas bênçãos. Eu também sou grato a tudo isso, mas depois de começar a viajar comecei a apreciar também os desafios e o acaso.  Quem viaja aprende que uma viagem quase nunca sai da forma planejada, sempre há um probleminha ou um detalhe que tira um passeio do rumo idealizado. E assim também parece ser com a vida. Muitas vezes a gente tenta escolher um caminho, mas os acasos acabam nos levando à outros rumos. Nos resta queixar e se frustrar por não viver a vida que gostaríamos. Será? 
É muito fácil dizer: "siga seus sonhos, seu coração", tão típicos de livros de autoajuda. Quem me conhece sabe que sou fã desse clichê, mas na verdade o uso com moderação, porque eu tento ter a consciência de que o que eu considero ideal hoje pode não ser o ideal de amanhã, ou o que de fato vai acontecer um dia. É importante ter em mente que tão fabuloso como viver um sonho é estar no caminho para sua realização, de braços abertos para o inesperado. Porque o caminho quase nunca é suave, há muitas pedras, como diria Drumond. Mas são as pedras, os desafios que nos fazem mais fortes, nos trazem sabedoria e apreciação, nos levam à lugares e pessoas que podem fazer uma grande diferença na nossa vida.
No voo de Prescot à Phoenix, Arizona, um instrumento chamado "heading indicador" ou indicador de rumo(?) entrou em pane. Será que eu tinha o direito de me aborrecer por isso? Valeria a pena?  Achei melhor ser grato à oportunidade de poder melhor minhas habilidades como piloto voando por bússola apenas. Também ao leque de opções que esse simples defeito me traria. Provavelmente terei que ficar em algum lugar por um ou dois dias a mais que o planejado. Que lugares vou visitar? Que pessoas irei conhecer? Será que farei novas amizades? 
Um dia uma pessoa bem sábia disse: "Não existe um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho". Seu nome é Mahatma Gandhi e parace que ele também já aprendeu apreciar as pedras do caminho.

Voando pela costa da Califórnia


Reportagem no Jornal Hoje em Dia

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Cruzando o deserto - De Los Angeles, CA à Prescot, AZ


Hoje começamos a cruzar o país em direção ao Atlântico e pousamos em Prescot, no Arizona, onde Adam fez faculdade na Embry Riddle. A pisagem tem sido menos empolgante, por ser completamente desértica, mas ainda assim fiquei admirando umas formações incríveis no relevo. O terreno foi aos poucos se elevando e consequentemente o nível de voo. 
Apesar de estar em um espaço aéreo restrito eu pude ver à distância a base da força áerea Edwards, no deserto de Mojave, e uma das maiores pistas de aeroporto do mundo, onde os ônibus espaciais americanos geralmente fazem (faziam) seus pousos. Fora essa atração única, o que mais me interessou foram os diálogos no rádio. Em um deles, um controlador do centro de controle de Los Angeles teve a cara de pau de perguntar os pilotos de um voo da Northwest, se eles poderiam levar um pacotinho de biscoitos pretzel extra para um dos passageiros que era amigo ou família do controlador. O piloto respondeu: "Acredito que sim, você pode me dar Los Angeles direto?" Significando que ele queria a rota mais rápida ao destino. O controlador respondeu que tentaria... Fiquei com vontade de apertar o botão do rádio e perguntar também: Se sobrar biscoitos pretzel, manda um pra mim!!!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Movie Star

Ainda estou em Los Angeles esperando terminarem de consertar o meu transponder, e acabei de assistir partes do seriado onde nosso cessninha aparece no plano de fundo. Reparem no avião à esquerda com a matrícula N55473 no tempo, 10:53, desse episódio de Castle: http://www.youtube.com/watch?v=xkTIrknN7xM Valeu Felipe Tomé por achar esse vídeo!

De Monterrey, CA, à Los Angeles, CA


Céu azul, sol, praia. Depois de semanas de chuva em Seattle, foi isso o que eu curti no meu primeiro dia na Califórnia. Foi um dia muito tranquilo, começando com uma caminhada na praia com Lynn, Max- seu cachorro e Adam. Voamos pela tarde ao longo do Big Sur, com direito a visão de cachoeiras, castelo (Hearst Castle) uma das estradas mais bonitas do mundo, a Route 1, que passa por precipícios ao longo da costa do Pacífico, casas cinematográficos e outro maravilhoso por do sol. Dessa vez encontramos um tráfego inusitado: Um gigantesco dirigível, Zeppelin, voava ao longo da costa da Califórnia (o mesmo que eu vi quando estive em Oshkosh), que é o único do tipo a operar comercialmente nas américas!
Como meu transponder não tem funcionado muito "adequadamente" decidi pousar em Los Angeles onde conheço um mecânico que vai dar checada no instrumento. Adivinha o que eu presenciei quando cheguei no hangar desse mecânico? Dica: Los Angeles/Hollywood... A gravação de um filme! Claro, isso é comum por aqui, tanto que em março quando o cessninha estava em manutenção no mesmo hangar, me pagaram $50 para que ele pudesse participar das gravações no seriado "Castle".

domingo, 20 de novembro de 2011

De Seattle, à Monterrey, CA


Nessa parte da América o tempo parecia não dar trégua. Depois de chegar em Seattle do Canadá, parecia que eu nunca conseguiria voar daquela região. Hoje, de manhã cedo, com os olhos ainda entreabertos, olhei da janela para o lago onde estive vivendo e vi aquela camada de neblina dando um toque de surrealidade na superfície do algo. Do outro lado eu podia ver os pinheiros e as árvores com suas folhas de outono, como que flutuando, brilhando pelo sol. Então eu disse pra mim mesmo: É hoje! A previsão do tempo não falhou e a mãe natureza mandou essa janela de bom tempo nesse domingo para podermos sair de Seattle. Não sem antes de descongelar a asa do avião que estava coberto de gelo que acumulara durante a noite! Foram quase quatro horas e meia de voo, atravessando todo o estado de Oregon com suas gigantescas árvores (as maiores do mundo!) até o primeiro aeroporto onde paramos para abastecer, em Crescent City, Califórnia. Como o mau tempo está caminhando para aquela região decidimos, seguir até Monterrey, CA. Em termos de navegação, foi o voo mais fácil pra mim até hoje, porque fomos seguindo a costa do Oceano Pacífico. Eu queria descrever um pouco o cenário, mas acho que vou deixar você, que de fato ta seguindo o blog, cansado. Mas eu vou soltar as palavras e deixo você imaginar: Praias, montanhas nevadas, gigantescas florestas, penhascos beirando o oceano, vulcões. Tudo isso junto, com uma pitada de por do sol (que se põe no oceano, por ser O. Pacífico, claro)...
...
Não estou aguentando, acho que eu tenho que dizer que foi o por do sol mais bonito que vi em minha vida! Talvez a emoção do momento "força um pouco a barra", mas as cores vermelho e alaranjado eram tão intensas e tão vastas sobre o oceano que eu comentei com o Adam: parece que o mar ta pegando fogo! E lá ele se foi... no seu caminho para dar bom dia ao povo de olhos puxados. Em pouco tempo, tudo era breu, com exceção de algumas pequenas cidades, e das estrelas. Voar a noite me da uma sensação estranha. Um misto de emoções. Parece tudo tão calmo, tão tranquilo, mas ao mesmo tempo com um potencial de ser assustador. As vezes a voz dos controladores surge nos fones como que vindo do além, e a mente começa viajar. Mas de repente as vozes se tornam cada vez mais frequentes e luzes, muitas delas, começam a se aproximar no horizonte.  Logo estamos voando ao lado de San Francisco. Tivemos que nos afastar bastante em direção ao oceano e descer para 2500 pés (de 5500) para garantirmos distância dos gigantes aviões que movimentam o aeroporto internacional daquela fabulosa e brilhante cidade. Seguimos nosso voo sobre o oceano até chegar em Monterrey onde pousamos e fomos recebidos por Lynn Johnson, irmã do meu amigo Don, que preparou um delicioso arroz com feijão e frango com seu especial tempero latino. Comer me fez sentir muito bem e já não vejo a hora de capotar nessa cama. Boa noite pra mim, bom dia pra quem desperta cedo aí no Brasil!

Pulando de Bungee Jump em Whistler, Canada

Já que a chuva não deixava voar de avião, por que não tentar voar com meus próprios braços, né? Acho que não deu muito certo....

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Uma cidade chamada Victoria (Columbia britânica) 11/11/11

Imagina uma cidade chamada Victoria. Imaginou? Pois Victoria é uma cidade assim mesmo, bem victoriana. As agências de turismo oferecem essa cidade ao turista que quer se sentir na Europa sem sair das Américas. E essa é a impressão que fica! Imagina ainda ter a sorte de estar na cidade para ver a marcha de celebração do feriado de "Remembrance Day", mesmo com frio e chuva os soldadinhos fizeram bonito no dia 11 do 11 do 11:


Essa é minha quarta visita ao Canadá e acho que já colecionei situações suficientes para poder generalizar e declarar: Que povo simpático e amável São gestos simples como de um senhor que me viu perguntando no Tim Hortons (famoso café canadense) se eles tinham internet wi-fi e depois da resposta negativa me seguiu até o carro para me mostrar onde tinha um e me ensinar o caminho. Em todas as lojas, restaurantes, sempre te tratam com muita cordialidade e atenção, como se dispusessem de todo o tempo só para você. E parece não importar o lugar. Até o 'detran' canadense impressiona... 

Eu parei o carro em frente ao albergue onde me hospedei para perguntar se tinham vaga e quando voltei no carro para pagar a taxa de estacionamento (nas máquinas que ficam nas ruas) vi uma surpresa no meu para-brisa: uma multa! Lá fui eu no departamento de trânsito de Victoria tentar me explicar. Me expliquei em poucas palavras para a primeira pessoa que vi no edifício (sem filas, sem agendamento) sem muitas esperanças e responderam mais ou menos assim: "Sinto muito pelo que aconteceu, vou cancelar sua multa e espero que tenha um excelente dia!" Simples assim! Como seria no Detran aí no Brasil ?

Voo de Seattle, EUA à Victória, Canadá

1 hora de voo, 10 horas de preparação. Isso que me custou chegar em Victória, na ilha de Vancouver. Confesso que a preparação me deixou um pouco nervoso. Era meu primeiro voo internacional, e eu era o único tripulante naquele voo. Quanto eu li os regulamentos sobre voo internacional entre Estados Unidos e Canadá, o preço das multas por não ter os documentos corretos a bordo ou por descuido em alguma parte do plano de voo me assustou. São vários destalhes que tive que conferir e re-conferir para poder decolar do Boeing Field com certa segurança. 
Beirando meu limite de horário para poder voar ainda com a luz do dia, decolei às 3 e 30 da tarde (o sol esta se pondo às 16:30). O sol - coisa rara por aqui, nessa época do ano - estava no horizonte iluminando as árvores decoradas de vermelho, amarelo e alaranjado para o outono, que se contrastam com os sempre verdes pinheiros que são marca registrada do "Pacífico Noroeste". No plano de fundo as altas montanhas nevadas também se contrastando com as águas azul escuro do pacífico e as lindas ilhas de San Juan. Voar permite essa dimensão única de apreciação da natureza, mas as vezes sinto que 200 km/h é rápido demais para poder "saborear" o que se ve lá de cima. As vezes giro 360 graus, para confirmar o que estou vendo, mas a vontade mesmo é de parar o tempo, chamar meus amigos, minha família, e quando todos estivessem presentes, "religaria o tempo" para podermos assistir juntos esse espetáculo com a terra se colocando lentamente entre nossa arquibancada e o sol. Minha natureza humana me faz querer possuir esse tipo de beleza e isso se revela na fotografia. Mas claro, ela não é suficiente. 
Atravessei a linha da fronteira sem nenhuma surpresa. Talvez a única diferença tenha sido no sotaque dos controladores que eu mal podia perceber. Com um lindo pouso (desculpa pela falta de modéstia), pousei numa das três pistas que se cruzam do aeroporto internacional de Victoria. Como já disse, fiz o processo de alfândega por telefone e sem nenhum contratempo ou burocracia estava em chãos canadenses. Eu sei que desafios maiores me esperam nos países latinos, mas quando as coisas não fluírem suavemente vou tentar resgatar na memória a beleza de certas paisagens e buscar: "...a  serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as coisas que posso e a sabedoria para saber a diferença"

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sobre os passageiros e tripulantes

 
 Quinta-feira parti para o Canada, decolei de Seattle e pouco tempo depois recebia permissão para pousar em Victoria, na ilha de Vancouver. Já em solo, com instruções de manter "todos os passageiros" a bordo até que o processo de imigração concluísse, meu (único) passageiro permaneceu no avião, enquanto eu por telefone, respondia as perguntas do oficial da alfândega, para então receber o "privilégio" e autorização de visitar esse país, repito, por telefone! Que contraste com a primeira vez que estive no Canadá quando eu e meu amigo Luigi fomos completamente revistados! Em compensação dessa vez, não tinha ninguém pra deixar o suvenir, digo, carimbo no meu passaporte...
Nesse primeiro trecho da viagem (que estava planejado para durar dois dias, mas devido ao mau tempo tem se prolongado para seis) tive a honra de levar um passageiro mais que especial. Seu nome é Don Johnson e hoje ele é mais que um amigo. Pela sua idade eu poderia dizer que ele é como um segundo pai, mas às vezes ele parece ter o espirito de uma criança, e sou eu que tenho que chamar sua atenção: "Don Johnson! Don't do that!", sempre na brinacadeira, claro. Ao mesmo tempo é um conselheiro e o principal incentivador dessa jornada. Ele é um verdadeiro viajante, não tem frescuras para se hospedar em hostels (albergues) e já desbravou boa parte da América Latina de ônibus, após aprender espanhol depois de seus 50 anos de idade. Hoje, aos 65, com o grande desafio de cuidar de sua esposa, Barb, que sofre de Alzheimer, está aprendendo português e se reinventando, deixando claro a lição de que nunca é tarde para nada. Amanhã quando chegar em Seattle, se o tempo permitir, vou trocar de passageiros. Deixo o Don e entra o Adam, que vai seguir a viagem comigo até o Brasil. Adam é uma das várias pessoas que me perguntou: "Posso ir com você?". Eu adoraria poder levar a maioria dessas pessoas, mas o Adam foi o único que passou no teste de nadar em um lago com temperatura próxima à zero! Brincadeira, não teve nenhum teste, mas ele ele nadou sim nesse lago após horas de caminhada numa trilha, se mostrando uma excelente companhia para essa aventura. Mas ele vai além de um grande amigo e companhia, não vai ser um mero passageiro, será tripulante, meu co-piloto nessa jornada! 

Adam Roberts, nadando em uma água quase congelada!

domingo, 13 de novembro de 2011

Do Alasca???



Eu não preciso enumerar um punhado de alabais explicando porque eu não estou fazendo jus ao título (ex-título desse blog), mas quero pelo menos deixar claro, que a segurança é a prioridade dessa viagem. E quando eu idealizei sair do Alasca, eu imaginei que a viagem aconteceria durante o verão do hemisfério norte. Mas quem tem me acompanhado sabe que por outros motivos (burocráticos, vistos, etc...) eu não consegui partir em Julho. Ainda assim, nas últimas três semanas estive estudando e observando atentamente as condições climáticas no Alasca, ainda com a esperança de que uma janela de bom tempo me permitisse um voo seguro até lá. Mas isso não aconteceu e o inverno está batendo aqui na porta do Pacífico Noroeste. E como o aviãozinho que estou voando tem seus limites e o seu piloto em comando mais ainda, tomei a decisão de não voar até lá e com isso o blog ganha um novo título: Do Canadá ao Brasil. Espero que seja até o Brasil... mesmo!


E cá pra nós, bem que dava pra enganar que estive no Alasca com essas fotos tiradas na região de Seattle nas últimas semanas, hein?

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Meu irmão também voa!

Quis ressuscitar esse vídeo de quando viajei pela primeira vez com meus irmãos, para Santiago, Chile. Feliz Aniversário Thiago! Você é um Super-Irmão!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Inspeção Secundária

Depois de ter que sair correndo dos EUA, para entrar com um outro visto, cheguei ontem nos EUA pelo aeroporto de Los Angeles vindo do Peru, e fui mandado para inspeção secundária porque os agentes de imigração não acreditaram na minha história. Eu disse a eles que vinha voar um aviãozinho do Alasca ao Brasil e eles me olharam como se eu fosse um louco. Minha foto e meu nome num artigo da aeromagazine foram excelentes para acreditarem que coisas assim(sonhos), as vezes acontecem na vida (se tornam realidade), mas somente depois de 3 horas de espera, agonia e respondendo perguntas. Valeu fotógrafo e jornalista, Ricardo Beccari e Gerson Sintoni, pelo artigo na revista!
After having to leave US "immediately" to enter with another VISA, I arrived yesterday in LAX from Peru, and was sent to secondary inspection in the border, because they could not believe my story. I told them I was coming to fly a little airplane all the way from Alaska to Brazil, and they looked at me as if I was crazy. My picture and my name in an article in Aero Magazine helped them to believe that yes, things like this (dreams) sometimes happen (come true) in life, but just after 3 hours of waiting, answering questions and nerve racking. Thank you photographer and journalist Ricardo Beccari and Gerson Sintoni for the nice article in that magazine!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Muito obrigado "Imigração americana" por essa semana no Brasil!

Foi meio que escondido que conheci os dois últimos países, já que preparava uma surpresa para minha família e minha mãe, no dia do seu aniversário. Cheguei em casa dentro de uma caixa, embrulhada de presente. A reação da minha mãe? Tá no youtube, claro:


Foi muito bom matar a saudade de todos, família e amigos! ( )'s

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Um tour no umbigo da terra - Equador

Como eu só tinha uma tarde e uma noite  para conhecer Quito, meu "tour" começou da janelinha do avião. A aproximação para o aeroporto de Quito foi contornando o Pichincha, um vulcão ativo, doméstico - por estar tão próximo à cidade. A sua fúria as vezes amedronta a cidade, deixando-a embaixo de cinzas. Mas dessa vez me pareceu apenas um pacífico lugar para voar de parapente. (Minha "lista de balde" não para de crescer). Com um mapa nas mãos, lá fui eu tentar caminhar pelo centro histórico da cidade, que me lembrou Ouro Preto com suas estreitas ruelas, construções históricas e claro, muitas igrejas que me abrigavam da chuva que despencava do céu. Subir uma ladeira de Quito é porém, como subir duas da cidade mineira, já que por aqui não tem tanto oxigênio disponível nos mais de 2800 metros de altitude da cidade. O pior é quando a chuva está caindo e a próxima igreja está no alto de uma ladeira. A gente chega lá com o coração batendo forte! Assim como em muitas cidades católicas da Europa e das Américas, as igrejas sempre me impressionam. Mas elas se destacam aqui, na América Latina, onde se impõem, as vezes no meio de muita pobreza, deixando claro a pompa e riqueza da "casa de Deus".


Na hora de encher a pança fui escolher entre as comidas típicas, tripa mishqui e chaulafau. Meu espírito aventureiro sempre me abandona nessas horas e acabei escolhendo o segundo, que parecia um mexidão de arroz com um delicioso tempero. Pela noite, comi uma deliciosa sopa ucraniana na casa da Adriana, onde reunimos eu, uma francesa, dois alemães, uma ucraniana, duas chicas de Guayaquil e um de Quito. Essa experiência multicultural foi graças, claro, mais uma vez ao Couchsurfing.org.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Um giro pela América Central, "no meio do caminho" - Costa Rica

Sábado a noite depois da lição de helicóptero, cheguei em casa e recebo uma surpresa: A tão esperada carta com a resposta do meu pedido de extensão de visto de estudante. No fim da segunda página uma palavrinha mudaria completamente meus planos para pelo menos as próximas duas semanas. O pedido foi "denied", negado! E ainda que houvesse um erro por parte do serviço de imigração dos EUA em relação ao tipo do visto em questão, a partir do momento em que eu recebi a carta, me tornava mais um cidadão ilegal nas terras do Tio Sam! Para não prolongar esse status non grato, passei a madrugada procurando um voo "bom" e barato, e no Domingo, já me embarcava para Costa Rica.


Foram apenas dois dias. No primeiro, caminhei durante horas pela ruas da capital, San Jose. A cidade lembra algumas cidades de médio porte brasileiras. Devo confessar que fora o enorme número de maritacas que gritavam e voavam aos bandos pelo centro da cidade, em um dia (chuvoso), nada chamou muito minha atenção. O povo me pareceu simpático. Começando com um piloto da Taca que voava ao meu lado como passageiro junto com a família no voo de Los Angeles a San Jose e fechando com chave de ouro com a divertidíssima Anita, com quem passei o segundo dia viajando ao Vulcão Poás. Mesmo já tendo estado em várias "expedições" a outros vulcões, na América do Sul, Hawaii, e Estados Unidos, esse foi o primeiro em que eu pude presenciar o que se qualifica um vulcão como "ativo". A fumaça era espessa e constante, mas sua cor branca parecia inofensiva apesar do cheiro de enxofre e do calor. Um pouco mais de caminhada numa trilha de uma verdadeira mata com lindos pássaros e um verde exuberante nos levou à uma outra cratera, inativa, onde um lindo lago azul se formou. Mas essa cor também colore outras águas nesse país, que é banhado pelo Caribe e também pelo Oceano Pacífico. Essas águas porém, espero navegar em uma outra oportunidade!
Costa Rica, Outubro 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Tinha um vulcão no meio do caminho (e outro, e mais outro, e...) Voo solo de Reno a Seattle

Com a corrida aérea cancelada, passei o sábado pedalando pela cidade que se intitula: "A maior pequena cidade do mundo". Reno é outra cidade de Nevada famosa pelos cassinos, mas o que eu curti mesmo foi ver os moradores ao redor do limpíssimo rio que passa pela cidade. Margeado por gramas bem cortadas, jardins bem cuidados, a atividade por ali era intensa. Jovens se divertindo, famílias brincando com seus cachorros, velhinhos refletindo na vida e eu, me esforçando para esquecer a tragédia que presenciei no dia anterior. Foi um lindo dia de sol, assim como foi o dia seguinte nos estados de Nevada, Califórnia e a parte sul de Oregon por onde voei. 
Como eu estava de bicicleta e o aeroporto de Reno-Tahoe era gigante levei bem uma hora para ter acesso ao cessninha. Imagina a cena:  Um moleque descabelado (no caso, eu) com uma grande mochila surrada nas costas, pedalando uma bicicleta tentando convencer os seguranças que eu tinha um avião dentro daquele aeroporto. Um bom tempo depois estava decolando e logo sobrevoando o aeroporto onde aconteceu a corrida aérea. 
Por cinco horas voei por grandes aéreas completamente inabitadas, principalmente nas altas elevações das montanhas rochosas. Ainda assim me surpreendi vendo uma casa no topo de uma montanha literalmente no meio do nada, e logo depois grandes áreas com vários sinais de atividades vulcânicas. É incrível poder reconhecer lá de cima os lugares por onde escorre as lavas dos vulcões. Às vezes parecia uma enorme calda de borracha. 
Um cenário surpreendente é um magnifico lago na caldeira de um vulcão. O azul da água é tão intenso que um dia foi chamado "Azul Profundo" e também de "Majestade", mas hoje seu nome é simplesmente: Crater Lake, ou "Lago da Cratera". Segundo o que li, apesar de sua água ser trocada apenas por evaporação a cada 250 anos (não tem nenhuma saída ou entrada de água) é considerada uma das águas de lago mais puras do mundo. Se não estivesse tão alto, e fosse tão fundo (é o lago mais profundo dos EUA) e não parecesse tão frio dava até vontade de nadar por ali. 
Segui o voo com a visão de vários outros vulcões (foram uns seis no total) até pousar na cidade de Eugene, em Oregon, para abastecer o avião e checar a previsão do tempo, que não era nada boa. Torci para que fosse apenas um erro dos meteorologistas, e segui meu voo por mais uma hora e meia quando me vi pouco a pouco descendo de 6500 pés para 2500 para me ver livre das nuvens, até que elas começaram a me intimidar e eu decidi pousar em Portland, cidade que sou apaixonado. Para quem não sabe voar por regras de voo visual não permite voar perto/dentro de nuvens, além de ser bastante perigoso.

No dia seguinte segui para Seattle num dia lindo com nuvens "sabor algodão-doce". Na aproximação para o movimentadíssimo aeroporto da Boeing, fui sendo desviado de várias aeronaves. Autorizado para pouso na terceira posição (seguindo dois aviões), me posicionei 200 pés abaixo do circuito de tráfego padrão para garantir que estava livre do espaço aéreo "bravo" do outro aeroporto internacional de Seattle, Sea-Tac, e já na perna do vento, o controlador ainda me pede para fazer uma aproximação curta, já que vinha um Boeing 747-8 (o maior Boeing do mundo) para pouso atrás de mim, na posição 4! Já na (reta) final a torre ainda me avisa para ter cuidado com o helicóptero que se movimentava a minha frente. Garantir meu lugar nesse desafiante espaço aéreo já me fez suar litros nos meus primeiros voos solos naquele aeroporto, mas dessa vez pousei com um sorriso na cara apenas pensando: "De volta ao lar"...(Por mais um mês?)
Me apressei para dar espaço ao gigante (747-8) atrás de mim, pegar a câmera e registrar seu pouso. Mais fotos aqui.



sábado, 17 de setembro de 2011

Desastre na corrida aérea de Reno.

Tragédias, desastres, sempre acontecem. Sejam com aviões, carros, edifícios, calamidades da natureza, etc. Mas é realmente perturbador quando somos espectadores, quase vitimas. Durante a tarde de ontem, antes da "corrida de gigantes", como referiu meu ex-professor da UFMG, Paulo Iscold, `a categoria ilimitada da corrida, fui aprendendo com ele sobre as interessantes amostras raras da engenharia aeronáutica presentes naquele "pit", fora os ilustres pilotos, como o saudoso Bob Hoover. Um dos aviões que chamavam a atenção era um Mustang P-51 prateado, que segundo me explicava Iscold, tinha uma interessante modificação aeronáutica no dorso. Eu mal esperava que aquele exemplar raro da segunda guerra, batizado de "Galloping Ghost" ou fantasma galopante, em português, se preparava para o último galope. Uma hora depois eu via a perturbadora imagem daquele avião, em alta velocidade, "empinando", virando em nossa direção, passando em cima das nossas cabeças, para cair a uns cem metros de onde estávamos. Com o impacto da queda, vimos vários objetos se lançando ao ar, como pedaços de cadeiras e tudo que podíamos imaginar. Não vou descrever o drama que se passou dali pra frente, mas foi uma experiência que não desejo a ninguém. Nesse momento eu desejo as vitimas e aos familiares pelo menos o conforto na crença de que há uma razão para tudo, ainda que não somos capazes de entender e enxergar.
"The Galloping Ghost" decolando para o último galope. Cavalgue em paz!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quando um plano B entra em ação. Voo solo de Seattle, WA a Reno, NV

Foram seis horas de voo que exigiram desse piloto tão inexperiente quatro vezes esse tempo para planejamento, cálculos, paciência e muita espera por melhores condições meteorológicas. A primeira parte não foi, digamos, muito cênica. A visibilidade estava bem reduzida devido a várias queimadas e como as nuvens não davam espaço em uma região montanhosa que eu estava prestes a voar, parti para um plano B em pleno voo, que me levaria a várias milhas mais distante do meu destino. Pelo menos seria mais seguro e teria uma excelente oportunidade de treinar a coordenação com minha equipe de voo, de todos os detalhes que envolviam aquela mudança de rota, como novo cálculo de navegação, combustível, possíveis aeroportos para pouso, etc. Mas como dessa vez toda a tripulação do N55473 se resumia somente a mim e a mim mesmo, estive um tanto ocupado nesse voo. Mas também nem tanto, depois de resolver tudo isso ainda tive tempo suficiente para tirar algumas fotos, fazer algumas ligações e pousar com combustível de sobra no aeroporto regional da pequena cidade de Roseburg, em Oregon.
No dia seguinte, acordei cedo para checar o tempo e como as nuvens estavam muito baixas, aproveitei para dormir mais umas horinhas, ainda assim, só me senti seguro para decolar a uma da tarde, depois de checar todas as fontes meteorológicas. Inclusive um piloto que acabava de pousar, que seguindo sua recomendação, voei através do buraco de nuvens para chegar a 9500 pês. Que subida espetacular! No horizonte, acima da camada de nuvens, picos de montanhas e vulcões surgiam como ilhas, no céu. Entre as nuvens lá embaixo eu seguia a estrada, sempre que possível, para me manter em navegação visual além de navegar por instrumentos. Me aproximando de Reno, estive voando (com bastante turbulência) por um grande deserto que me surpreendeu quando vi uma espécie de gigantesco cemitério de veículos. Eu tive a impressão de serem centenas de tanques de guerra, mas vou verificar as fotos depois para confirmar.
Já em contato com os controladores de aproximação do aeroporto internacional de Reno, eles me asseguraram que eu não entraria no espaço aéreo restrito da corrida aérea. E durante o pouso, mais uma vez um intenso vento cruzado me desafiaria, já que a pista que favorecia o vento estava fechada para o estacionamento dos aviões que chegavam para o evento. Mas o pouso foi um sucesso, ainda com a ausência do freio direito. (Fazendo o checklist para táxi em Rosemburg, perdi o freio direito, mas não me preocupei porque sabia que a pista em Reno era gigantesca). Milhares de "pés" de pista restavam na minha frente quando virei a direita para o táxi.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Um "favorzinho"

Seattle, WA
Hoje o presidente da minha escola me perguntou se eu podia levar um aviao para manutencao na capital aqui do estado de Washington. Depois de conseguir cancelar uma aula teorica e uma pratica de helicoptero e outra de aviao, porque nao? Ele me agradeceu, como se eu tivesse fazendo um grande favor. Como assim? Eu que agradeco, disse a ele! Agora estou aqui no aeroporto regional de Olympia esperando terminarem, para poder voar o aviao de volta pra Seattle e estive pensando... Hoje estou voando de graca, achando muito bom e custando para acreditar que um dia ainda serei pago pra fazer uma das coisas que mais gosto, voar. Sera mesmo??

Ps. Esse teclado que estou usando nao tem asento, muito menos corrige a ortografia para acento, como voce pode notar...
Olympia, WA

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Quando a gente sonha que está voando...

Semana passada "tive" um sonho um tanto estranho. Entrei na aeronave, completei o check-list, chequei os ventos, observei o tráfego aéreo, dou um grito: "Clear", giro a ignição, "trrrrrrrr-pppptotototo" o motor ganha vida, as hélices começam a girar. Pronto para o táxi, alguma coisa muito estranha acontece, a aeronave se suspende, com se tivesse vida própria, e ali permanece aproximadamente à um metro do chão. As pessoas no aeroporto param para olhar, alguns  buscam por alguma coisa no bolso, sem tirar os olhos da gente, porque aos poucos logo começamos a subir, com uma mão tampam os raios do forte sol daquele dia, ou mesmo tentam se proteger do mini furacão que surge da nave e que joga folhas, poeira, vento em todas direções. A outra mão acha o celular ou a câmera para registar aquele momento. Estou pingando, talvez de suor devido ao calor daquele verão, talvez de nervosismo, ou quem sabe são lágrimas de emoção? De repente a aeronave ganha velocidade e logo depois altitude. Aquelas pessoas ficam para trás e parecem pequenas agora, aliás tudo parece pequeno com exceção dos altos prédio e uma torre que parece que saiu do desenho animado os "jetsons" que aos poucos vão se aproximando. Minutos depois estamos pairando ao lado dessas torres, bem pertinho, como jamais imaginei chegar com os comandos de um avião. Tenho a impressão que posso dar um aperto de mão nas pessoas que me olham do topo daquela torre, que se chama "agulha espacial" ou "Space neddle" em inglês, que é um dos marcos de Seattle. Tudo parece mágico, parece um sonho, aliás é um sonho sim, mas não tem nenhuma mágica. Aconteceu na última quarta-feira, às dez horas da manhã, minha primeira aula em um helicóptero!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma pedra no meio do caminho

Essa semana fui no consulado do Canadá pedir meu quarto visto canadense. Entrei confiante, sai derrotado. Ter estado algumas vezes naquele país sendo a última para apresentar um trabalho da UFMG numa conferência, não foi suficiente para convencer o sistema de que eu não estava tentando entrar para ser mais um trabalhador ilegal por lá. Me disseram que o motivo seria que eu estava sem status nos EUA, já que aguardo uma resposta do governo americano para a extensão do meu visto de estudante que apliquei em Julho. Enquanto eles não derem essa resposta não posso ir para o Canadá, e o que há entre Seattle e Alasca?...
Resumindo, terei que aguardar mais um par de meses para começar oficialmente a viagem. Enquanto isso continuo com meus treinos e agora existe a chance de sair daqui já com a carteira de piloto comercial em mãos. A grande ironia é que estive voando ontem em céus canadenses. Não foi a intenção, mas como meu destino era Bellingham ao norte e estava em treino de voo por instrumento, fomos transferidos para os controladores de Victoria, na ilha de Vancouver, e fizemos holdings (procedimento de voo por instrumento) no espaço aéreo canadense. Mesmo sendo em inglês, a forma de comunicação foi suficientemente diferente pra deixar até meu instrutor confuso na hora de entrar no holding.
Minha amiga no assento de trás e meu instrutor disseram que o dia e a paisagem estavam lindos lá fora, mas sem poder olhar pelas janelas, com aquela espécie de vendas nos olhos só pude contemplar mesmo as fotos depois do pouso.

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domingo, 14 de agosto de 2011

Dia dos pais.

Hoje é dia dos pais, certo? Um dia feito para celebrar todos os papais do mundo. Será mesmo? Claro que não. Só no Brasil. E só no Brasil mesmo! Após uma rápida consulta no google, descobri que o dia dos pais nasceu, por coincidência, aqui onde estou, no Estado de Washington, na cidade que sobrevoei alguns dias atrás, Spokane. Aqui nos EUA por motivos comerciais escolheram o terceiro domingo de Junho para a data. No Brasil, por motivos não mais nobres escolheram em agosto. O Wikipédia ainda vai mais longe afirmando que: "No país a implementação da data é atribuída ao jornalista Roberto Marinho, para incentivar as vendas do comércio e, por conseguinte, o faturamento de seu jornal". Peraí, Roberto Marinho? Até aqui tem dedo das Organizações Globo? Não sei se é verdade, mas fica a dica para refletirmos sobre a origem de nossas crenças e culturas.  
Seria fácil dizer que meu pai não precisa de um dia especial, porque ele merece ser homenageado todos os dias do ano. Mas como eu falho nessa tarefa, ainda bem que, bem, inventaram o dia dos pais! Esse é um dos dias que tenho uma tarefa um pouco complicada, tenho que, de alguma forma, expressar o óbvio: que eu amo meu pai. E agora estando longe pela segunda vez nessa data, escrever (com palavras diferentes) é quase a única forma de fazê-lo. Claro que a internet hoje em dia ajuda muito a aproximar quem está longe, mas digamos que meu pai não é muito, cibernético. E claro, nada substitui um abraço de verdade (coisa que só fui valorizar estando longe, como sempre). Mas se hoje não posso abraça-lo, é tudo culpa dele! Ele é o responsável principal por eu não estar tão perto...
O maior presente que um filho pode receber de um pai é o ensinamento. E o meu caprichou bastante nesse presente. Ele me ensinou valores, que sem eles eu nunca poderia estar fazendo o que eu tenho feito. Nem poderia estar onde estou hoje, me preparando para essa grande viagem. Ta vendo? Culpa sua, Wilian Oliveira Junqueira!
Muito obrigado pai, pelo seu exemplo batalhador, de caráter, disciplina, humildade e pelo amor, que mesmo quando longe, mantém nossa família unida. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Um encontro com o selvagem... nem tanto.

Nosso voo de volta para Seattle teve elementos meteorológicos que o fez um pouco menos simples que o voo de ida, como nuvens de tempestade e ventos de 30 nós durante um pouso. Mas nada que comprometesse nossa segurança. Ainda decidimos tentar uma rota um pouco mais diferente e desafiante, com mais montanhas e checkpoints famosos como a montanha onde foi esculpida as faces gigantes de quatro presidentes americanos (Mt. Rushmore) e um dos maiores e mais interessantes parques do mundo, Yellowstone. 
Depois  de umas 12 horas de voo, chegamos um pouco cansados no aeroporto Yellowstone Regional, na cidadezinha de cowboys, Cody, aproximadamente à 80 quilômetros da entrada leste do parque. A previsão era chegar no dia seguinte em Seattle, já que meu instrutor me esperava para prosseguir com meu curso. Mas como tínhamos que atravessar as altas montanhas de Yellowstone, porque não adiar o voo e "estudar" primeiro o terreno de carro? Com esse álibi, alugamos um carro e dirigimos no dia seguinte por quase 700 quilômetros para explorá-lo. Depois de visitá-lo no inverno um ano e meio atrás estava ansioso para ver tudo aquilo no verão, e quem sabe ter a chance de encontar o Zé Coméia que sempre puxa um longo ronco naquela gelada estação. Infelizmente não vimos nenhum urso, mas vimos outros animais interessantes como os bizões (ou bizontes?). Além desses, outro bicho que não vi muito no inverno mas que no verão tem aos montes é o bicho-homem. Eles estavam por toda parte e vêm de todo canto do mundo. 
Os parques de conservação dos EUA são uma das coisas que mais admiro nesse país. A organização e a infra-estrutura deles sempre impressiona, mas faz perder um pouco do encanto do selvagem. Mas como disse um cara que demos carona, e só sair um pouco das estradas principais, para ver uma natureza totalmente intocada. Como tínhamos apenas um dia para explorar o parque, não foi dessa vez que saímos do caminho-comum dos turistas para se encantar ainda mais com aquele lugar. Mas a idéia vai ficar guardada para planos futuros.  Ainda que sem sair muito dos limites das estradas que muitas vezes tinha o trânsito parado por bichos que a atravessavam, essa grande caldeira vulcânica sempre impressiona com seus geisers, crateras, e formações estranhíssimas. Eu falei das piscinas hidrotermais? Essa é minha atração favorita, que encanta não só os olhos, mas todo o corpo. Não pude resistir e mergulhei no encontro de um rio super gelado e da água que surgia fervendo de dentro da terra, a temperatura era perfeita e perdi noção do tempo, relaxando naquelas águas por umas duas horas. No dia seguinte veríamos toda aquela beleza por um ângulo diferente, espero que tenha conseguido captar um pouco do que admirávamos lá de cima! Link para o álbum.
Vimos essa piscina somente do avião, de onde cliquei essa foto. Do wikipedia: Esta fonte hidrotermal apresenta uma diversidade de cores brilhantes. Estas cores são devidas à existência de películas de bactérias termofílicas. A zona em azul contém água a ferver e é livre de bactérias; as zonas que vão do verde ao laranja são zonas onde crescem bactérias em temperaturas sucessivamente menores.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Oshkosh - Para os aficionados da aviação - e para os leigos também.

Chegar pilotando na meca da aviação é uma oportunidade que imagino, todo piloto desejaria ter pelo menos uma vez na vida. É o único lugar na terra onde mais de dez mil companheiros chegam pelos céus com suas máquinas aladas. Quando encostei o trem de pouso na pista 27 daquele aeroporto pensei que estava pousando em um ninho familiar, mas tenho que admitir  que por vezes, naqueles sete dias me senti um patinho feio. 
Eventos aeronáuticos como esse atraem sempre dois tipos de pessoas: Os aficionados pela aviação e os curiosos de plantão. Confesso que às vezes tenho a intenção de fazer parte desse primeiro grupo, mas ainda que eu seja um piloto, estou mais para esse grupo de pessoas que olha pra cima e fica de boca aberta como se voar fosse algo mágico. Já cheguei a comprar alguns livros que me ajudassem a identificar aviões e me permitissem fazer comentários aeronáuticos "intelectuais", mas o máximo que fiz foi folheá-los duas ou três vezes (no banheiro). Ainda assim, fui pra Oshkosh com uma missão pessoal: Saber um pouco mais dos aviões da Segunda Guerra Mundial. Ver todos aqueles aviões (uns 400!) fora das páginas de um livro ou revista, ao vivo e a cores era a chance única de saber um pouco mais sobre eles. Mas não passei  de um expectador obcecado quando dezenas deles se exibiam nos céus de Wisconsin ao mesmo tempo. Deu pra confundir as emoções olhando pra cima e ver que aquelas máquinas, uma arte da engenharia trouxe tanto sofrimento pra tanta gente. Talvez minha repulsa por guerra possa ser uma bela desculpa para eu não me sentir tão ignorante quando uma criança de 10 anos ao meu lado ia falando com toda a euforia do mundo os nomes e sobrenomes dos aviões que passavam a rasante a poucos metros da gente.
Uma rápida "googlada" me indica que vi de tudo: Harriers (que decolam da vertical), F-14 (do filme Top Gun que ainda não assisti), o maior dirigível do mundo, o helicóptero acrobático da redbull, F-15, F-16, B-17, B-29, T-6, P-51, 787, DC-3, A6M5,  e tantos outros letras-números. Fora as atrações "carne-osso" que apareceram por lá como Bob Hoover, Dick Rutan e Harrison Ford.
Mas para alegria dos mais leigos, não precisava saber tantos nomes pra curtir, vibrar, se arrepiar, ficar em êxtase com aquele show que explora bem as três dimensões. Uma das atrações que mais me surpreendeu foi, digamos, a mais "simples". Um planador com uma turbina, (sim, turbina!) dançava no céu com toda elegância, ao som de uma música bem relaxante, com a obrigatória fumaça saindo das pontas das asas. Nas atrações noturnas o mesmo planador surpreendeu com os fogos de artifício jorrando das asas no lugar da fumaça. E lá estava eu, um não-aficionado, babando e admirando aquela arte, com uma "pontinha"de inveja do artista. Mas quem era o artista? O engenheiro ou o piloto? Minha admiração por essas duas profissões me fariam divagar nessa resposta para bem além do escopo desse post. Mas o lugar onde eu queria estar mesmo, seria claro, ali no cockpit, nos comandos daquele avião. Sou apaixonado por voar. Sim, um aficionado, mas olhe bem, pelo verbo, não pelo substantivo, avião. Por isso decidi ser piloto. Para ter a oportunidade de olhar o mundo por um novo ângulo, me sentir como (licença o clichê:) um pássaro. Voar alimenta essa pretensão humana de ir além dos limites, e também a ilusão de que podemos ser superiores aos outros. Repito, ilusão. Lá de cima, mais cedo ou mais tarde, aprendemos que somos todos uma poeirinha à mercê da natureza e que todas nossas mais fortes convicções podem se desfazer quando mudamos perspectivas. Ainda assim, existe algo especial dentro de cada poeirinha que não podemos dimensionar com as ferramentas que temos nesse mundo físico, e que dentre outras capacidades incríveis, nos permite sonhar. Copiando o slogan de alguma companhia aeronáutica que vi em Oshkosh: Dare to dream (ouse a sonhar).