domingo, 31 de julho de 2011

Oshkosh - Feira da fotografia(?)


Em algum lugar eu li que Oshkosh é o evento mais fotografado do mundo. E deve ser mesmo por que depois dos aviões, as máquinas fotográficas eram os objetos que eu mais via naquele lugar. Claro que eu imaginei que ali estaria também presentes os melhores fotógrafos (de aviação) do mundo. Mas nem pensei que pudesse topar com um deles por lá. Até porque a gente nunca vê nas fotos os artistas que estão atrás das câmeras. E não é que não só conheci, mas fui fotografado (com o Felipe e com o cessninha) por nada menos que Beccari? Quem acompanha as revistas de aviação já deve ter pelo menos lido esse nome embaixo de alguma foto. Ele é o fotógrafo oficial da Cirrus, Embraer, esquadrilha da fumaça e da Aero Magazine, entre outros.
Mas como foi que o conheci? Bem, numa lista de assinaturas dos visitantes internacionais, eu e o Felipe marcamos com um x que chegamos pilotando em Oshkosh. Um jornalista da Aero Magazine, viu aquilo e nos mandou um e-mail para uma possível entrevista. Na sexta-feira fomos entrevistados pelo simpático jornalista Gerson, que pareceu ter interessado pela nossa história e marcou um encontro com um fotógrafo no acampamento aéreo para o dia seguinte. E eis que chega Beccari, no sábado, para alegrar ainda mais nosso dia. 
Não sei se nossa "aventurinha" vai merecer um espaço nessa revista, mas só de encontrar essas pessoas já vai ter valido à pena. Beccari foi como um amigo de longa data naquele sábado. Confinados no aeroporto por 6 dias, e comendo basicamente  só cachorro-quente nas refeições, ele nos deu um trato e saímos das redondezas do aeroporto pela primeira vez. Nos levou para comer num restaurante de comida deliciosa e depois na base de aviões aquáticos, que é um lugar apaixonante. Fazer as pessoas rirem deve ser um de seus segredos para tirar fotos tão bacanas, porque a gente não parou de rir naquele sábado. Qualquer coisa banal, as pessoas, eu, Felipe, seus amigos Pregg e Adriana éramos todos objetos de piada.
Como adoro fotografia, aproveitei o mestre e perguntei o segredo para tirar fotos tão incríveis de dentro dos aviões. A resposta era óbvia e simples mas nunca tinha tentado ainda: Abrir a janela do avião! No caminho de volta para Seattle, aproveitando que sobrevoaria Yellowstone faria o teste. Passado o medo inicial, me surpreendi!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A caminho de Oshkosh, dia 3: Minneapolis - Oshkosh


Flying in to Oshkosh (from Seattle) Jul2011


Do segundo para o terceiro dia fomos muito bem recebidos por Bob e sua esposa em Minneapolis. Após o jantar, eu e Felipe passamos o tempo planejando como chegar em Oshkosh durante o evento que tem o espaço aéreo mais movimentado do mundo. Acordamos cedo no dia seguinte para garantir a chegada antes que fechassem o espaço aéreo para as apresentações acrobáticas.  Com o carro cortesia do aeroporto provamos que não entendiamos nada de navegação terrestre, nos perdemos em Minneapolis para chegar ao aeroporto e lá se foi um tempo precioso. Após uma rápida checada do tempo, subimos no avião e decolamos rumo a Oshkosh. Nas duas horas e meia de voo fazíamos e refazíamos o briefing de chegada. O coração já batia forte de excitação mais iria bater muito mais forte em um dos momentos mais intensos que já passei. Com um sistema excepcionalmente bem organizado de aproximação  me encontrei entre várias aeronaves seguindo em fila para pouso. O tráfego é tão intenso que a 30 milhas do aeroporto temos que desligar o transponder para evitar interferências e não podemos responder os comandos pelo rádio, apenas confirmar balançando as asas. Os controladores direcionavam o trafego aéreo falando rapidamente e identificando as aeronaves pela posição que era bem complicado já que estávamos bem perto uns dos outros. Seguir aquela fila com uns 10 aviões na minha frente me fez suar bastante, a adrenalina estava a mil e eu só pensava em fazer uma aproximação perfeita para pousar no ponto determinado pela torre. Como a pista é grande, cada avião pousa num ponto colorido diferente na pista, a ordem não é apenas pousar com segurança mas pousar no ponto, no meu caso era um ponto verde depois da metade da pista. Será que não era exigir demais de um recém brevetado como eu? Talvez, mas o importante é que respirei de alívio por igualar mais uma vez o número de pousos e decolagens do meu logbook, e dessa vez em Oshkosh. Mas a aventura continuava para o taxi, com um cartaz que tive que colocar na janela indicando meu destino (acampamento para aviação geral) no vidro do avião, fui sendo direcionado por dezenas de pessoas num labirinto com centenas de aeronaves estacionadas já com suas barracas de acampamento ao redor. Eu sinceramente não imaginava ver tantos aviões na minha vida. parece tudo tão mágico e impressionante que me senti chegando na copa do mundo de quadribol, quem leu Harry Potter sabe do que estou falando. Após ver acrobacias aéreas de tirar o folego como o de Mike Goulian e tantas outras atracões é difícil acreditar que terá muito mais pra ver nos próximos sete dias. Fotos

domingo, 24 de julho de 2011

A caminho de oshkosh, dia 2: Bozeman - Minneapolis

A combinação  da alta temperatura junto com a elevada altitude de Bozeman, fez efeito considerável na performance do cessninha, principalmente na decolagem. Ainda que esperável a sensação era de que tinha alguma coisa errada com o motor. Com uma razão de subida medíocre, em alguma hora finalmente atingimos a altitude planejada de 9500 pés, para logo depararmos com uma cadeia de nuvens aproximadamente no mesmo nível. Tive que descer para nível de voo 5500 pés. Ótimo, pensei. Daria pra ver melhor o chão que passava lá em baixo. Mas o que tem para ver entre os estados de Montana, Dakota do norte, do Sul e Minesota? Bem, tem plantação de milho, de trigo, de milho também. Não muito além disso, melhor foi admirar (e temer) as formações de cumulus nimbus que se formavam ao norte da nossa rota. Como piloto de parapente aprendi que essas nuvens com nome engraçado podem ser belas mas nunca estão para brincadeira. Escolhemos para reabastecer no aeroporto de Hettinger que fica no meio de uma plantação que devia ser de trigo, ou de milho. Apesar dos ventos de través com rajadas de até 18 náuticas milhas, pousei com segurança naquela pista que tinha uns rolos de feno decorando a paisagem. Abastecemos na bomba self-service e quando parecia que não existia uma alma viva naquele lugar, você acha que apareceu alguém? Não, ninguém. Como numa cena de filme bati na porta do hangar onde se lia office, nenhuma resposta. O vento era constante e alimentava aquela nuvem gigantesca, espessa e escura a norte do aeroporto. Do outro lado o céu era azul e o sol brilhava forte. Abri a porta e fiquei dizendo helloo e ouvia de volta o helloo ecoando pelo hangar que tinha um avião agrícola e muitas coisas velhas inclusive uma máquina que dizia vender coca cola por 50 centavos. E não e que a latinha saiu!? Uns 30 minutos depois enquanto fazíamos os cálculos da próxima rota, uma caminhonete chegou e ao contrário dos filmes não era nenhum assassino apenas um simpático senhor perguntando se estava tudo all right e se precisávamos de carona para ir ao vilarejo, dissemos que não e o garantimos que não enfrentaríamos aquela tempestade do norte, nossa rota era paro o oeste, e era melhor partir logo pra continuar com nosso voo visual. Agora mesmo estamos sobrevoando Minesota, o Felipe é o piloto em comando desse trecho, por isso aproveito e escrevo enquanto o ajudo a olhar trafego, e conferir esporadicamente os checkpoints(referências no chão pra navegação) e refazer cálculos de tempo e combustível. Quer saber o que tem lá em baixo? Tem umas plantações. Teve ser de milho, (ou de trigo).

sábado, 23 de julho de 2011

A caminho de oshkosh, dia 1: Seattle - Bozeman

Com a possibilidade de estender minha estadia com o visto de estudante e a necessidade de ganhar mais experiência com voos cross country, uma feirinha de aviação que acontece anualmente lá do outro lado desses Estados Unidos chamou meu nome. Estou falando de Oshkosh, e acho que tenho uma desculpa razoável pra dar um intervalinho no meu curso de instrumento e colocar o pé na estrada (ou nas nuvens). No primeiro dia da jornada eu e meu amigo Felipe deixamos Seattle com todo seu esplendor para trás. As nuvens tão frequentes nessa cidade não deram o ar da graça na nossa partida deixando o sol iluminar com toda sua força essa área que foi caprichada pela natureza. Atravessamos a cadeia de montanhas que no inverno faz a alegria dos esquiadores (e dos "snowboardeadores") e logo sobrevoávamos uma área desértica. O estado de Washington ficou pra trás e chegamos em Idaho numa cidadezinha no meio de um vale chamada Shoshone onde pousamos para abastecer o avião e nosso estômago. Quatro horas depois cruzamos a temida (talvez só por mim mesmo) Rocky Mountains e pousávamos em Bozeman. Viajar é muito bom, mas tem seus efeitos colaterais. É estranha a sensação de conhecer um lugar e principalmente as pessoas e na hora da despedida ficar imaginando quando e se voltaremos a vê-los. Voltar para Bozeman um ano e meio depois foi bem especial. Reencontrei Katie, uma amiga que me hospedou em sua casa no rigoroso inverno de montana e agora, no verão com a paisagem drasticamente transformada pela mudança de estação. Mas o reencontro foi rápido, saímos de manhã cedo e seguimos viagem.

A caminho de oshkosh, dia 1: Seattle - Bozeman

Com a possibilidade de estender minha estadia com o visto de estudante e a necessidade de ganhar mais experiência com voos cross country, uma feirinha de aviação que acontece anualmente lá do outro lado desses Estados Unidos chamou meu nome. Estou falando de Oshkosh, e acho que tenho uma desculpa razoável pra dar um intervalinho no meu curso de instrumento e colocar o pé na estrada (ou nas nuvens). No primeiro dia da jornada eu e meu amigo Felipe deixamos Seattle com todo seu esplendor para trás. As nuvens tão frequentes nessa cidade não deram o ar da graça na nossa partida deixando o sol iluminar com toda sua força essa área que foi caprichada pela natureza. Atravessamos a cadeia de montanhas que no inverno faz a alegria dos esquiadores (e dos snowboardeadores) e logo sobrevoávamos uma área desértica. O estado de Washington ficou pra trás e chegamos em Idaho numa cidadezinha no meio de um vale chamada Shoshone onde pousamos para abastecer o avião e nosso estômago. Quatro horas depois cruzamos a temida (talvez só por mim mesmo) Rocky Mountains e pousávamos em Bozeman. Viajar é muito bom, mas tem seus efeitos colaterais. É estranha a sensação de conhecer um lugar e principalmente as pessoas e na hora da despedida ficar imaginando quando e se voltaremos a ve-los. Voltar para Bozeman um ano e meio depois foi bem especial. Reencontrei Katie, uma amiga que me hospedou em sua casa no rigoroso inverno de montana e agora, no verão com a paisagem drasticamente transformada pela mudança de estação. Mas o reencontro foi rápido, saímos de manhã cedo e seguimos viagem.
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sábado, 2 de julho de 2011

Adeus à um pequeno grande homem: Cláudio Barros


Ele era pequeno sim, mas só de tamanho. As poucas vezes que estive com ele, me admirei com a grandeza de sua pessoa. Os "causos" desse mineirinho eram contados com muita graça e simpatia. São histórias que poderiam virar um livro - cheio de lições. Cláudio Pinto Barros partiu hoje deixando na memória de quem o conheceu o exemplo de um sonhador que durante sua caminhada, enfrentou desafios e pessoas com visões limitadas, (que só conseguem enxergar um lado de um cubo), para colher suas vitórias. São pessoas como o Cláudio, que parecem enxergar além dos seis lados, que escrevem as linhas de sua própria história, fazendo a diferença no meio em que vivem. Ele não era uma pessoa famosa, apesar de recentemente aparecer no Jornal Nacional como o inspirador de seu aluno, Paulo Iscold, que projetou e construiu (com a ajuda de dezenas de estudantes) o avião leve mais rápido do mundo. Com o sonho de construir um avião, e com um livro em italiano (ele não sabia italiano!) sobre projeto de planadores, Cláudio pôs as mãos na massa e em 1964 estava pronto seu primeiro projeto aeronáutico: um planador de instrução, o CB1, Gaivota. No mesmo ano foi fundado por ele o Centro de Estudos Aeronáuticos (CEA) da UFMG, e a ênfase em engenharia aeronáutica. Foram centenas de estudantes que tiveram a oportunidade de seguir o rumo da aeronáutica e de se tornar grandes profissionais graças à esse Centro, e claro, graças ao Cláudio. Infelizmente minha "geração" não teve a oportunidade de ter aulas de engenharia com esse mestre, mas apenas conhecê-lo já foi uma importante aula de valores, que permanece viva nos alicerces do CEA. Muito obrigado Cláudio!
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