quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Trinidade e Tobago - Burocracia e corrupção andam de mãos dadas

De olho bem aberto e atento nas nuvens em Trinidade e Tobago, parti de Grenada, pronto para o voo.  A estadia na ilha anterior foi prolongada porque o tempo não parecia bom. Desde quando eu parti da Flórida, a nuvens pareciam estar estagnadas em Trinidad com tempestades de chuva e raios. Apesar da minha constante preocupação para aquele trecho, o atraso foi de apenas um dia. Um bom piloto deve se orgulhar da decisão de não voar às vezes, o que pode ser uma decisão muito difícil principalmente quando existem vários tipos de pressão externa, mas principalmente de aspectos comerciais. Não era meu caso, ainda mais quando a hospedagem em Grenada pudesse facilmente me fazer a usar o mal tempo mais como uma desculpa do que uma honesta justificativa. Já que a previsão do tempo estava mais miserável pela tarde, saímos bem cedo de Grenada. Com uma ou outra nuvem para desviar, o voo foi bem tranquilo. Ao contornar as montanhas ao norte do país, que segundo eu li em algum lugar é a extensão das cordilheiras dos Andes, chegamos avistar a Venezuela. Entre as montanhas, uma extensa área urbana e industrial em contraste com as paradisíacas paradas dos últimos dias, junto com a tranquilidade do voo começou me dar uma sensação de “missão sendo cumprida”. Uma falsa sensação. 

Voar seria a tarefa mais fácil no “projeto” de chegar no Porto de Espanha, a capital do país. A burocracia para poder entrar naquele país foi tanta que quase superou a brasileira. Após seguir as instruções de taxi da torre de controle para o posto de abastecimento e cortar o motor, eu estava por conta própria. Fechei o avião, pegamos as mochilas e começamos a andar no pátio procurando a alfândega. Com os documentos de entrada já preenchidos, inclusos as 14 cópias das declarações gerais que eles exigem para entrada e saída (normalmente em outros países, 3 é suficiente), fui passando por vários agentes do governo. Como o de saúde, que não queria nos deixar entrar porque não tinha ninguém para desinfetar o avião com pesticida, uma lei do país. Por alguma outra razão tive que refazer as declarações gerais e começaram a arranjar vários outros empecilhos. Queriam que eu fizesse as burocracias com uma empresa privada que nada mais é naquele caso que uma empresa oficial de corrupção. Em todos os outros aeroportos muitas vezes eu tinha a opção de poder fazer os tramites com uma dessas empresas despachantes, “handlers”, mas porque eu não tinha muita pressa e queria economizar dinheiro eu tentava sempre fazer por conta própria. Entretanto em Trinidad, quando me passaram o telefone para o chefão da empresa, queriam me cobrar U$350 para o serviço. Quando eu disse que o preço era um absurdo diminuíram para U$150 e considerando as outras taxas caríssimas do aeroporto, decidi que se eu não entrasse por conta própria eu desistiria de entrar no país, e desliguei o telefone. Uns quatro funcionários da “empresa” pareciam se divertir com a situação. Principalmente quando me informaram que o agente responsável por checar as malas estava do outro lado do aeroporto. 

Quando abri a porta daquele terminal para voltar para o avião e taxiar para o outro lado, os seguranças que agora pareciam ter surgido do nada, disseram que era ilegal caminhar pelo pátio sem escolta e para que eu tivesse uma, teria que pagar a tal da empresa. Ou seja: Eu estava proibido de entrar no país, não tinha como ligar para ninguém e nem podia voltar no avião, até que o oficial chegasse as 17 horas ou eu pagasse os U$150. Eram umas 10 horas da manhã. Decidi esperar. Umas duas horas depois, o Don encontrou um porteiro que acabou resolvendo a situação com uma chamada de telefone. Em 15 minutos o agente veio e estávamos liberados para conhecer o país. Um pouco decepcionado por toda essa situação fiquei tentando entender o que pode fazer um país ser tão burocrático. A gente sabe que burocracia e corrupção andam de mãos dadas e ao ver tantos indianos (ou descendentes) trabalhando naquele país minha mente preconceituosa e generalizadora quis colocar a culpa naquela cultura. Trinta e cinco por cento da população de Trinidad é composta por descendentes de indianos. A Índia é um dos países mais burocráticos do mundo. Algumas décadas atrás fugindo exatamente do sistema opressor, vários indianos cruzaram os oceanos numa jornada de três meses em busca das ofertas de trabalho nas plantações de açúcar deixadas pelos escravos recém-libertos. O que vemos hoje é uma relativamente forte influência hindu no Caribe, onde eu menos esperava. 

Quando eu estou fora do Brasil eu sempre falo muito bem do meu país até que parece surgir uma contradição no meu discurso. “Se o seu país é tão bom por que você foi buscar oportunidades fora dele? Por que não é um país de primeiro mundo?” E então, tenho sempre que emendar: “Mas tem muita corrupção”. Assim como  a Índia e Trinidade e Tobago. Isso me coloca numa posição de igualdade com os indianos e os trinitário-tobagenses. E eu me pergunto, como vítimas de uma cultura corrupta ou como parte dela? Eu tenho muito orgulho de dar o exemplo do meu pai, Wilian Junqueira, uma das pessoas mais honestas que conheço. Certa vez, de férias, meu pai estava ensinando meu irmão mais velho a dirigir quando ele tinha menos de 18 anos, em uma estrada de terra. Um policial surgiu, parou o carro e pediu a carteira do meu irmão. Meu pai falou que ele não tinha e o policial disse: “Você sabe que isso é ilegal, né?” Sim, disse meu pai. O policial seguiu: “Que é uma infração gravíssima e que eu deveria multar e apreender o seu veículo”. O policial só faltou pedir os R$50 reais, quando o meu pai disse, com o bigode dele, todo sério: “Que cumpra-se a lei.”. Quantos de nós brasileiros agiriam assim? Quantos de nós usamos nosso especial “jeitinho brasileiro” para conseguir benefícios pessoais. Um exemplo? O meu próprio quando eu uso minha carteira de estudante vencida para conseguir desconto em cinema. Eu tenho vergonha de fazer isso mas é por essas coisas que parecem pequenas que continuamos onde estamos. Os políticos em seus gabinetes são muitas vezes reflexos de nós mesmos embriagados pelo poder concedido por nós, pelo povo. Mas eu divago...

Meio emburrado com toda aquela situação, não consegui aproveitar muito Porto de Espanha e acabei visitando um zoológico que me deixou ainda mais desconcertado ao ver os animais naqueles espaços tão apertados. Fora um parque bem verde no meio da cidade, algumas construções modernas e outras mansões antigas e conservadas não vi nada que chamasse muita a minha atenção.


Sair do país, foi ainda mais complicado que a entrada quando começaram a exigir documentos como declaração de carga e de passageiros como se eu fosse uma linha aérea, e eles (os funcionários do aeroporto) não tinham a menor ideia de como eu conseguiria aqueles documentos se não com os funcionários da “empresa” que insistiam que eu pagasse pelo serviço deles para me darem a cópia dos documentos. Comecei a andar enfurecido pelo aeroporto entrando de sala em sala explicando a situação quando consegui ajuda de um senhor muito simpático (com traços indianos, diga-se de passagem),  que acabou sendo a pessoa mais agradável que eu conheci em Trinidad. Ele trabalhava numa área sem nenhuma ligação com meus problemas e me ofereceu seu computador e impressora para que eu procurasse no google como fazer o documento. Era complexo e precisava de um par de códigos dependendo do tipo de carga, número de passageiros, aeroporto de destino e origem que eu não tinha a menor ideia nem paciência de como achar. Assumi que o funcionário do aeroporto que recolhia esse documento, também não saberia e coloquei letras quaisquer. Imprimi e funcionou. Decolei aliviado não vendo a hora de chegar na América do Sul.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Grenada


Visão do passageiro
Em mais um voo curto e tranquilo em que meu “piloto automático”,  Rafael Martins, não teve muito trabalho em manter o avião alinhado na rota, chegamos em Grenada em que segundo o guia: “Você vai querer andar de taxi por várias razões: As tarifas são fixas, aluguel de carro e gasolina são caros e dirigir na ilha pode ser ocasionalmente perigoso.” As vezes a melhor experiência de uma viagem está em fazer exatamente o contrário do que o guia te indica, mas mais provavelmente por birra mesmo, decidi alugar um carro em Grenada. Mas ao contrário da maioria dos países, você precisa ter a carteira de motorista local. Oops. Maaas... nada que U$15 não compre, pelo menos naquele país! De carteira comprada enfrentamos a estrada de mão esquerda, ziguezagueante, esburacada e grande parte de terra até a afastada pousada

Um dos poucos escombros que vimos
O cenário é paradisíaco, mas como chega a ser comum no caribe, em 2004, o furação Ivan mostrou toda a sua força destruindo ou estragando 90 por cento das casas em Grenada. Tudo indica que a reconstrução foi rápida, e fora um escombro aqui e ali (não muito diferente de algumas construções descuidadas no Brasil) não havia muito sinal da destruição, até porque foi há quase 10 anos atrás. 

Cabier Ocean Lodge, a pousada onde ficamos tinha um preço um pouco acima do nosso orçamento, (U$120/noite), mas valeu muito a pena. Os quartos tem decoração  rústica, camas com mosqueteiras (super útil!), grandes janelas e varandas com vista para o oceano e para a mata. A área comum com uma visão em 180 graus para o oceano dava uma sensação de isolamento do mundo. Mas, ufa!, tinha wifi e me mantive  conectado. Escaipiei com amigos, meus pais, feicibuquei, escrevi um pouco e fiquei observando as imagens de satélite e a previsão de tempo preocupante entre minha próxima parada e a Guiana, meu primeiro país na América do Sul. Os gerentes da pousada, Iris, uma austríaca casada com um chefe francês, Bruno e o filho francês deles, Kevin, eram tão simpáticos e atenciosos que a gente pensou em voltar lá apenas para reencontra-los. E não é que Kevin acabou não apenas nos visitando como morando com a gente nos EUA por um par de meses, no ano seguinte? Mais uma prova de que as amizades e as pessoas que encontro são as maiores riquezas que acumulo nas minhas viagens. 
Vista do quarto do Cabier Ocean Lodge
Cabier Ocean Lodge
Praia à alguns passos do Cabier Ocean Lodge
Don-key, um dos nossos novos amigos.
A esperta Judy acabou roubando os óculos do Don
O lado negativo em se hospedar em um lugar bacana como esse é que a gente acaba nem querendo sair para explorar outros lugares, mas a gente não podia deixar de conhecer “um dos portos mais pitorescos do Caribe” como anuncia o livro da National Geographic sobre o Caribe. Pegamos o carro e fomos para St. George, a capital do país. Apesar dos milhares de turistas que desembarcam dos cruzeiros, realmente não há palavra que melhor descreva St. George: Pitoresca. 
Para nossa sorte, tivemos que extender em mais um dia nossa estadia devido ao mal tempo em Trinidad e Tobago, nosso próximo destino.


St. George Harbour


Grand Anse Beach

Vídeo do voo de São Vicente e Granadinas para Grenada:





sexta-feira, 30 de novembro de 2012

São Vicente e Granadinas - Onde os "Piratas do Caribe" atracaram.

Trinta minutos. Esse foi o tempo aproximado para voar de Santa Lúcia para São Vicente e Granadinas. Quando eu mal terminava de subir já estava na hora de descer e fazer a aproximação em E.T. Joshua, o principal aeroporto desse país. Mesmo com o vento de calda, fui instruído a pousar na pista 7, em direção à ilha, já que na direção oposta um morro poderia obstruir minha aproximação. Pousei com uma velocidade bem maior do que o costume devido ao vento, mas não me preocupei por ter bastante pista disponível. Foi fácil e rápido. 

Mas não foi o mesmo para os escravos foragidos e naufragados que chegaram de Santa Lucia e outras ilhas, alguns séculos atrás.


 Essa pintura exposta no museu do Forte Charlotte retrata a chegada “milagrosa” dos escravos após o naufrágio de um navio em 1675. Segundo o museu e outras fontes na internet, esses escravos africanos  foram bem vindos na ilha pelos índios caribes, mas os mesmos “impediram agressivamente a colonização de São Vicente” pelas expedições britânicas e francesas até o século XVIII. Desde então, essa até então colônia, passou pelas mãos dos franceses e dos britânicos até conseguir a independência em 1979. O fato que chama atenção é que o chefe de estado da ilha ainda é a própria rainha Elizabeth II, como aparentemente ainda acontece em outros países.


Dessa vez achamos nosso teto pelo airbnb. Para quem não conhece esse é um site onde pessoas do mundo todo, como eu, alugam seus espaços, quartos ou casas para viajantes a um preço geralmente melhor do que hotel e com mais a oferecer. Por exemplo, por um pouco mais de U$50 por noite encontramos uma casa completa com dois quartos e uma linda vista para as montanhas cobertas por matas tropicais. O taxista, arranjado pela própria dona da casa, nos levou do aeroporto até a casa num caminho de aproximadamente 10 minutos que me fez sentir numa montanha russa. Dificilmente se estivéssemos hospedados num dos hotéis que o guia do Caribe (para pilotos) aconselha, teríamos tido as experiências que tivemos. 
Vista da casa que alugamos

Muita gente que viaja com frequência tende a ser um pouco crítico com relação aos turistas. Eu sou um deles. As vezes eu tento evitar um lugar por ser “turístico” demais ou fico observando com uma certa uhm, “arrogância”, centenas de pessoas desembarcando de um cruzeiro para “conhecer” um país por algumas horas. Eles conhecem o país pela fachada, compram os souvenirs que retratam as cenas exóticas que talvez nem eles mesmo conheceram. Deixam para conhecer as cenas de locação de “tal” filme ao invés de conhecer um importante marco histórico daquele lugar. Como eu! Decidi então conhecer a cena de locação do filme Piratas do Caribe que segundo o guia: “Esse lugar só pode ser alcançado por barco”. Mas basta uma caminhada pelo centro de Kingstown, a capital do país, e trocar algumas palavras com o povo local para saber: “É claro que você pode chegar lá de ônibus”.

Eu fiquei na dúvida se o autor do meu guia realmente não sabia dessa façanha (nem teve muito trabalho em saber), ou se ele simplesmente achou melhor não citar que sim, em menos de uma hora numa estrada em uma van-lotação poderia chegar “sobrevivido” ao local da filmagem. O trajeto fez com que eu, o Don e Rafael trocássemos olhares desconfiados pela forma como a van era conduzida naquelas estradas, mas a experiência se somou a nossa lista de aventuras e apesar dos frios na barriga eu me senti seguro (nem tanto como voar, mas...) Chegamos no local e uma placa surrada nos dava boas vindas a Wallialabou Bay.


Descemos para a praia onde supostamente gravaram o blockbuster, mas fora as águas caribenhas e a linda e reclusa praia de areia preta, não havia muito que indicasse que ali foram gravadas as cenas do famoso filme da Disney. O restaurante que serviu de cenário para a vila do filme e onde na internet ainda diz: “Nós decidimos manter o cenário de filmagem e preservá-lo, estamos constantemente trabalhando no processo de restauração”, estava tão quieto que parecia não ter sobrevivido as arruaças dos piratas. Mais tarde acabamos descobrindo que a verdadeira maldição tinha sido um furacão que alguns anos atrás acabou arrasando o lugar. Nas paredes do restaurante várias fotos velhas mostravam as cenas de filmagens e os atores de Hollywood (como Johnny Deep e Orlando Bloom) interagindo com o povo local mostrando sua simpatia e “humildade”. Mas assim como o autor do meu guia as estrelas “pareciam não saber” que havia estrada que chegasse aquela baía já que, segundo nossa garçonete eles chegavam de lancha direto do hotel onde se hospedavam. 


Enquanto saboreávamos um peixe e a tranquilidade absoluta daquele lugar, chegaram duas senhoras de pele clara, de saia e um homem de pele escura. Meu primeiro pensamento: “Duas freiras e o motorista”.  Aí eu me pergunto: Quantas faces tem o preconceito? Como pode eu, uma pessoa que achou um absurdo quando soube que minha amiga Fiona, aeromoça da British Airlines que conheci em Cuba, por ser negra, era constantemente interrogada nas ruas de Havana quando vista com uma tripulação gringa por ser confundida por prostituta? Que diferença existe entre meu pensamento e  o trabalho dos oficiais cubanos? A verdade era que uma das mulheres (canadenses) Darlene, era casada com o caribenho, Gary e a outra mulher era sua irmã de visita do Canadá. Eles acabaram sendo a “cereja do bolo” (que brega!) da nossa visita. Graças ao Don que tem como ninguém uma das maiores qualidades de um viajante: Saber falar “oi” aos estranhos. Eles acabaram nos oferecendo uma carona de volta à capital e nos mostrando paisagens, lugares e um por do sol que dificilmente veríamos de outra forma. Darlene, com toda simpatia, fez espaço entre as ferramentas de jardinagem com que trabalham na van e Gary, todo sorridente e descontraído era cumprimentado e cumprimentava buzinando muitas pessoas durante o trajeto. Acabamos fazendo uma parada num hotel/resort onde eles tentavam conseguir serviço e o que vi foi no mínimo interessante. Uma praia de areia branca exclusiva para os hóspedes separada por uma cerca da praia pública. 

De areia preta.

Quando sobrevoei a ilha era claro que sua costa é predominantemente escura formados por areias e rochas pretas devido à fragmentos de lavas vulcânicas nesse caso oriundos do vulcão ativo: La Soufrière. Depois de analisar as fotos que tirei enquanto sobrevoava a ilha,  as únicas praias de areia branca eram “tomadas” pelos hotéis da ilha. Mas aquela cerquinha dividindo a mesma praia entre areia preta e branca me dizia algo mais. Aquilo era necessário para vender que no país: “a Villa Beach oferece areia branca e uma variedade de opção de alojamento” como exemplifica o guia que eu tenho do Caribe. 
Repare a única praia de areia branca

A beleza que eu vou guardar de São Vicente e Granadinas, apesar de eu não ter conhecido de fato as partes “granadinas” do país, vai muito além de praias de areias brancas (ou pretas) e fachadas turísticas. 
Aeroporto de Bequia (TVSB)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Saint Lucia (Uma outra nação independente!)


Essa foto pode parecer que tirei do avião numa aproximação muito mal feita no aeroporto de Sta Lucia, mas na verdade foi tirada da varanda do nosso hotelzinho. (De uma ou duas estrelas, o mais econômico que encontramos ainda assim com essa vista). Sim , existem construções e ladeiras bem na cabeceira da pista 27 e por esse motivo, pousar desse lado pode ser bem desafiante!

Dessa vez deixamos a ideia de alugar um carro de lado e decidimos explorar esse país de barco. Como não era alta temporada apenas duas senhoras nos acompanharam no passeio em um barco acostumado a levar até 18 pessoas. Enquanto navegávamos ao redor da ilha, a cada curva tínhamos uma surpresa diferente. Conhecemos uma parte muito rica da ilha, onde famosos como a Oprah possuem suas mansões de veraneio. Em uma parada, descemos para um mergulho de superfície, onde vimos diversos peixes coloridos nadando entre corais coloridos em água incrivelmente clara e com temperatura bem agradável. 
Em uma das paradas, um guia nos levou em sua van no que ele dizia ser o único lugar do mundo onde você podia dirigir até a cratera de um vulcão. Não pudemos colocar a cara pra ver o buraco, mas na distância podíamos ver e sentir a fumaça quente e fedorenta de enxofre saindo do "centro"da terra. Ainda nesse lugar tomamos um banho de lama quente vulcânica, que diziam curar até a doença que você ainda não tinha! Ainda sujos de lama, fomos caminhar na floresta até encontrarmos essa cachoeira e piscinas naturais para nos limparmos em águas incrivelmente mornas! Foi o primeiro lugar onde eu vi uma cachoeira de água morna e achei o máximo! 





 Ao aproximarmos dessa fenda, escutamos um barulho muito agudo e após chegarmos bem perto estava claro: Morcegos. Centenas deles!









Saint Lucia é famosa pela formação de seu relevo com destaque para seus "pitóns": Duas montanhas vulcânicas em formas de triângulo que se destacam sendo vistas facilmente do mar e de algumas cidades como a sofrida Soufrière que já se reconstruiu várias vezes após terremotos, incêndios e furacões. 

Quer visão mais privilegiada do que poder ver Saint Lucia e seus "pitóns" lá de cima? O que mais podíamos pedir?



Um arco-íris!



Os Pítons de Sta. Lucia do avião e do barco. Pouso em Sta. Lucia


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Martinique


St. Pierre 2012
“Eu senti o vento soprar com muita força, o chão começou a tremer, e o céu de repente ficou escuro. Eu virei para entrar em casa, com grande difuculdade, subi os tres ou quatro degraus que me separavam do meu quarto, e senti meus braços e pernas queimando, e também o meu corpo. Eu me deitei numa mesa. Nesse momento quatro outros buscaram refúgio no meu quarto, chorando e agonizando de dor, mesmo que suas roupas não tivessem nenhum sinal de terem sido ecostados por chamas. No fim de uns 10 minutos, a jovem menina Delavaud caia morta no chão. Os outros deixaram o quarto. Me levantei e fui a um outro quarto, onde achei o pai Delavaud , ainda com roupas, deitado na cama, morto. Ele estava roxo e inchado, mas suas roupas estavam intactas. Louco e perplexo me enfiei na cama e inerte esperei pela morte. Meus sentidos voltaram aproximadamente uma hora depois quando eu percebi o telhado pegando fogo. Com o resto de força que me restava, e com as pernas sangrando e cobertas de quimaduras, eu corri para Fonds-Sait-Denis, seis quilômetros de St. Pierre.”

Vários vulcões e montanhas pareciam surgir do nada, no mar azul-turquesa caribenho, e a maioria com seus peculiares traços de habitação. Enquanto pilotava, com frequência eu ficava pensando como deve ser crescer e viver em cidades na base de vulcões. Eu sei que a possibilidade de um vulcão entrar em erupção e dos moradores não correrem a tempo deve ser bem baixa, mas ao conhecer a ilha francesa de Martinique eu fui lembrado do poder e da “fúria” da natureza e de como somos vulneráveis. O pior desatre vulcânico do século 20 aconteceu nessa ilha, na cidade de Mont Pierre. Saindo da capital Fort-de-France, em menos de uma hora de viagem de carro pelas sinuosas estradas de Martinique, chegamos na pitoresca cidade de Mont Pierre, banhada pelo mar caribenho e ao pé do vulcão Mount Pelée. As contruções antigas, casas feitas de madeira e/ou de pedras irregulares e algumas ruínas não pareciam mostrar o que aconteceu a pouco mais de 100 anos naquele lugar. Com o charme da época era considerada como a “Paris” do Caribe quando Mount Pelée entrou em erupção, destruiu completamente a cidade e matou seus quase 30 mil habitantes, com exceção de duas pessoas. Léon-Compere-Léandre, um jovem sapateiro foi um dos dois únicos sobreviventes. Sim apenas duas pessoas sobreviveram, e o primeiro parágrafo desse post é uma tradução apressada de seu relato.

Fora essa história trágica, Martinique tem muita beleza nas suas praias, florestas, plantações. No alto das colinas, com a visão privilegiada do Caribe, estradas passam por plantações de banana, cana de açúcar, matas verdes com diversidade grande de flora e fauna. Era curioso dirigir nas estradas com padrão europeu, muito bem sinalizadas e asfaltadas com placas em francês abrindo caminho em cenário tão tropical. 

Algumas fotos:







Video: Decolando de St. Kitts and Nevis, pousando em Martinique


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ilhas Virgens

Pousar em Tortola foi uma atração à parte. Dava vontade de fazer uma aproximação mal feita para poder arremeter e tentar de novo só para continuar admirando o visual daquelas ilhas. Mas não foi preciso. Depois que tomamos uma balsa para ilha de Virgin Gorda, o visual nunca decepcionou. Nos hospedamos em uma espécie de apartamento de veraneio com uma vista fantástica. Lauralee, a dona do lugar, já estava a nossa espera no porto onde a balsa atracou, e com muita simpatia, nos acompanhou para alugarmos um pequeno jipe 4x4 (dificilmente um de tração normal subiria as ladeiras da ilha) e nos levou para comprar o básico de alimentação para nossa estadia. Como em muitas das ilhas que íamos conhecer dali em diante, o relevo era bem montanhoso. Andar nas estradas consideravelmente estreitas e íngrimes no lado esquerdo da estrada (por ser território britânico) e com o volante do lado "normal", dificultava ver se vinha tráfego na direção oposta. A paisagem sempre tentava tirar minha concentração, mas eu tinha que estar atento também ao curioso tráfego de cabras:


Acordamos no dia seguinte com esse visual:


Pegamos o carro, e após um sobe e desce de ladeira, fomos caminhar no Parque Nacional "Gorda Peak". São 800 metros de subida em uma trilha na mata que te traz à uma plataforma com um visual de tirar o fôlego. Outro lugar imperdível foi o "The Baths". É um conjunto de rochas grandes formando um conjunto de túneis e labirintos à beira-mar. Você agacha, sobe, nada, escala, pula as pedras com o mar caribenho sempre intercalando o visual.

Vídeo Ilhas Virgens



E para evitar ficar repetindo adjetivos como: "de tirar o fôlego, incrível, supimpa", aí vai um vídeo do que fizemos nas Ilhas Vigens, a decolagem do aeroporto de Beef Island e o "pouso" em St. Kitts and Nevis:


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Voando para as Ilhas Virgens

Foi um voo interessante. Despedimos da República Dominica, com Punta Cana em vista na costa leste do País e depois do mar aberto logo chegou Puerto Rico, com um espaço aéreo bem intenso, mas com o bem organizado sistema americano, fui informado pelo Centro de Controle de San Juan de várias aeronaves na minha rota. Um deles, um jumbo de carga da Fedex que passou abaixo do meu nível de voo, acabei conseguindo tirar uma foto:



 Apesar de não voar tão baixo quanto eu gostaria pudemos ver o Castillo San Felipe del Morro, famosa fortaleza histórica da cidade de San Juan onde à alguns meses atrás tive a oportunidade de caminhar e contemplar de perto.


Após Puerto Rico, as maravilhosas ilhas virgens americanas e britânicas fecharam nosso voo com chave de ouro. Aqueles montes verdes encrustados naquela água azul turquesa vistos lá de cima não pareciam reais. Tentando me concentrar para a aproximação no aeroporto da ilha de Virgin Gorda, eu não parava de perguntar o Don e o Rafael: "Vocês estão vendo o que estou vendo? Estão tirando fotos?"



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A cidade mais antiga das Américas


Após abastecimento em Puerto Plata, na costa norte, cruzei a montanhosa República Dominicana e cheguei na fervilhante capital, ao sul, Santo Domingo. Tendo estado na turística Punta Cana, estava ansioso para conhecer esse país da perspectiva de seus habitantes. Uma caminhada no centro histórico mostra a responsabilidade daquele povo de preservar a história da cidade mais antiga das Américas. Com a chegada de Cristóvão Colombo em 1492, os vários museus da cidade tem muita história para contar. Ali você vai encontrar a primeira igreja, o primeiro hospital, escola, etc das américas. Na tentativa de sobreviver a uma economia não muito estável e bem dependente do turismo, a todo instante éramos oferecidos serviços de todo o tipo; comida, taxi, passeios turísticos. Mas no pretexto de economizar dinheiro e viver o que o povo de lá vive, pegamos um ônibus lotação e fomos pra Boca Chica, o destino mais popular dos finais de semana dos dominicanos. Chegando lá, a informação visual era tanta que quase não percebemos que estávamos diante de uma linda praia de água azul-esverdeada caribenha. Estava repleta de gente; crianças brincando, famílias inteiras se divertindo, vendedores vendendo seus peixes (e quadros pintado a óleo!), sons de todos os tipos saindo dos alto-falantes dos carros e dos bares. Fiquei feliz de ver aquele povo alegre se divertindo nesse presente da natureza que muitas vezes é apenas explorado pelos turistas gringos.