quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Um favorzinho para o colega do albergue.

"Cara, depois que você me falou que era piloto fiquei pensando em te pedir uma coisa, mas tudo bem se você não puder e disser que não... Será que você não poderia me levar voando até Bahamas?" Foi o que me perguntou Marcus, o canadense meio que tímido quando eu acordava na segunda-feira. Eu pensei comigo mesmo. Será? Meu instrutor de voo não podia me dar instrução na segunda nem na terça. A previsão do tempo para as ilhas estava perfeito. Por que não? Várias horas de planejamento depois decolávamos para meu primeiro voo em "mar aberto" com a companhia de outro hóspede da Nova Zelândia que topou na mesma hora em dividir os custos. Mas antes tivemos que voar para o aeroporto de Fort Lauderdale para comprar as obrigatórias jaquetas salva-vidas. (Para o caso de um pouso de emergência (impacto!) na água). No curtíssimo voo até a loja, voando ao longo da costa, acabamos vendo um submarino. 
Decolando de Fort Lauderdale, os primeiros minutos de voo foram bem intensos com a tarefa de desviar de tráfego e comunicar com os controladores no ocupadíssimo espaço aéreo de Miami. Mas logo depois, no meio do caminho até a ilha de Bimini, tudo ficou muito tranquilo. Até demais. Cheguei até desconfiar que o rádio tinha parado de funcionar. O som do motor se torna a mais linda melodia. É como aquela música que a gente gosta muito e põe para ficar repetindo. No meio do mar eu queria fazer questão que estava tudo funcionando. E estava!  O aeroporto internacional de Bimini não tem torre de controle e a pista, um tanto rudimentar, não tinha pista de táxi, como em outros minúsculos aeroportos privados que pousei nos EUA. Você freia, gira 180 graus e taxia na mesma pista em que pousa, torcendo para que nenhum doidinho num avião sem rádio esteja pousando atrás de você. Mas aquele aeroporto não precisa mais do que aquilo, o visual compensa a falta de qualquer coisa. Até as instalações modestas da imigração ajudam a compor um cenário que te faz muito querer estar ali. 
Reparem um corte na mata ao fundo: É o aeroporto internacional.
A cor da água ao redor da ilha é impressionante. Você olha, fecha os olhos, olha de novo, se belisca para acreditar que não tem truque ou photoshop. 
O povo "biminiano" me pareceu muito simpático e apesar de falarem inglês, eu entendia só metade do que falavam. Já estava começando a me sentir mal por não entender muito quando o canadense perguntou: "Vocês estão falando em inglês?" Sim estavam, mas o sotaque era carregado mesmo, com uma pitada de dialeto da ilha. Daquela única ilha. Bahamas é compostas por mais de setecentas! Cada uma com suas peculiaridades. Pelo menos conheci a ilha onde supostamente Ponce de Leon suspeitou que estaria localizada a fonte da juventude. Claro que eu não iria deixar de lavar o rosto na suposta fonte, né? E ao norte da ilha, é onde se diz que existia a misteriosa Atlântida.
Ta vendo a cor da água?
Mais de 30 minutos depois do pouso quando caminhávamos pela ilha, dei um tapa na testa, lembrando que eu tinha esquecido de fechar o plano de voo com o Flight Service de Miami, o que significava que em breve equipes de salvamento e resgaste estaria procurando por mim e pelo o avião. Levamos 30 minutos buscando telefone e internet para conseguir telefonar para os Estados Unidos e fechar o plano de voo. Depois do alívio de conseguir falar com os controladores, fomos curtir a praia. Parecia o perfeito cenário do paraíso: Areia branca, coqueirais, praia deserta, cor do mar inacreditável. Até que resolvemos usar a máscara de mergulho embaixo da água e vimos um punhado de água-vivas. Oh-ho... Simon, o neo-zelandês já tinha uma cicatriz no braço deixado por um daqueles animais e decidimos que não queríamos outra cicatriz e saímos da água de fininho... Era quase perfeito. Caminhando de volta para o aeroporto, vimos as crianças saindo da escola. Meninas de saia e meninos de gravata num uniforme formal azul e branco. Voltando para casa alguns pegam o táxi-barco sobre aquele mar que tantas pessoas sonham em ver na vida. Mas suas expressões mostram que estão apenas pegando mais um entediante escolar diário.
Mais fotos, clique aqui
O voo de volta para a Flórida, também foi bem tranquilo, com exceção de novo, do ainda mais movimentado espaço aéreo em horário de pico. Pousei no aeroporto internacional para passar pela alfândega, e após uma breve espera pela inspeção de jatinhos particulares fomos rapidamente interrogados e liberados na terra do Tio Sam. Um brasileiro, um canadense, um neo-zelandês chegando de avião particular das Bahamas. "Onde estão hospedados mesmo?" 
- Sim, num albergue (hostel). Por que não??

8 comentários:

  1. QUE LUGAR MáGICO MESMO!!!!!!!! SUA VIAGEM REALMENTE ESTÁ SENDO ESPLENDOROSA, PARBÉMS!!!!!!

    ResponderExcluir
  2. Muito bom Gustavo.
    Pelo menos as aventuras aéreas retornaram enquanto se desenrola a burocracia.
    Grande abraço.
    Cláudio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Cláudio, As aventuras aéreas na verdade não pararam. Estive em treinamento de voo, mas preferi não comentar aqui enquanto não saísse uma autorização da FAA-TSA (que saiu na última sexta-feira finalmente). Abraço!

      Excluir
  3. Alo meu amigo ! Qualquer dia a gente combina um voo juntos. Abração pra voce !

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fala Flávio! Adoraria voar com você um dia! É uma honra receber seu comentário por aqui! Um grande abraço!

      Excluir
  4. Menino.... a cor dessa água não pode ser verdade!!!
    EU QUEROOO!!!!

    ResponderExcluir
  5. Meu, esse lugar é indescritível. Ainda vou mergulhar por lá! Abraços, Dale

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vale a muito a pena Dallas! A copa airlines voa ate bahamas, nassau, passando por Panama, vez ou outra tem promoções, aproveita!!

      Excluir