terça-feira, 20 de agosto de 2013

Quase 7000 quilômetros, 8 dias, 79 horas dirigindo ao lado do meu irmão. Parte 1.


Quanto tempo é tempo demais para ficar do lado do seu irmão de sangue, lado a lado, dentro de 1 ou 2 metros quadrados? Meu irmão William, por ser sete anos mais velho do que eu nunca foi na verdade minha melhor companhia de infância. Mas o tempo passa e quando o irmão mais novo ganha a etiqueta de adulto e a suposta maturação, as diferenças passam a não ser tão relevantes. Em teoria.
Com a visita do meu irmão aos Estados Unidos, decidimos dirigir juntos de Miami à Seattle. Uma das maiores distâncias que se pode ir de uma ponta a outra nos Estados Unidos. Foram 6900 km percorridos em 79 horas de viagem, dentro de 11 estados americanos. Detalhe:  O raio médio da terra é de 6700 km. Como adulto nunca passei tanto tempo ao lado dele e fazer essa viagem na sua companhia foi algo muito especial.
Partimos de Miami com direção à Orlando, onde jantamos com a “prima” Bárbara de Goiânia que visitava com as amigas os parque da Disney, e também o primo Juvenal, de João pessoa. Foi um encontro raro de gente de vários cantos do Brasil (até do Pará!) em uma rápida parada para abastecimento. 

De bucho cheio seguimos estrada por mais 6 horas até chegar em Pensacola às 4 da manhã. Uma cidade de qual estado mesmo? Flórida. Ainda na Flórida, mesmo depois de mais de 10 horas de direção! Nada mal para o primeiro dia. Mas onde se hospedar de madrugada? Pelo couchsurfing eu tinha conseguido um lugar para a gente ficar de graça, mas como já era tarde demais, tivemos que passar a oportunidade e ficamos em um motel. Motel com meu irmão? Motel nos EUA não tem o significado que temos no Brasil. Por aqui é um simples hotel bem conveniente para uma noite de descanso. São relativamente baratos e muitos têm até piscina. Existe uma rede, Motel 6, (6 porque acostumava ser U$6 por noite quando foi criado, hoje o preço médio está em torno de U$50) que está em todos os lugares. Os quartos são tão padronizados, que não importa onde você esteja, no sul, no norte, no deserto, na neve, você vai se sentir no mesmo lugar. 
Na manhã seguinte, mandei uma mensagem para o nosso suposto anfitrião (pelo couchsurfing) em Pensacola, perguntando que praia ele recomendaria para a gente dar um pulo antes de seguir viagem. E ele, Chris, me responde, numa plena terça-feira pela manhã, que estava na praia de Pensacola, trabalhando de salva-vidas numa torre perto do pier. Quando cheguei lá ele parecia estar trabalhando no paraíso. Numa praia de areia branca, água clara e morna do golfo do México. Como havia outro salva-vidas na torre, ele desceu para bater papo com a gente e até nadamos juntos, e como não queríamos sair da água ali seguimos conhecendo nosso novo amigo, conversando sobre nossas vidas e várias outras coisas. Quando o assunto chegou nos tubarões que ele via ocasionalmente naquela praia do golfo do México decidimos que era hora de sair da água e seguir viagem.

Nosso novo amigo, Chris e meu irmão, William na praia de Pensacola.

 As estradas federais americanas sempre impressionam pelo padrão de conservação e segurança, mas foi decepcionante avistar durante esses 7000km, 7 buracos na estrada. Um buraco para cada mil quilômetros rodados. Se você não entendeu, isso foi uma ironia, ok? Mas é verdade! As pontes e estradas suspensas em que passamos ao cruzar os lagos, rios e pântanos dos estados de Mississippi, Alabama e Louisiana realmente nos surpreenderam. Sem saber  passamos por quatro das maiores pontes dos EUA, e ainda assim não passamos na maior de todas, a ponte do lago Pontchartrain que estava muito perto da nossa rota. Essa ponte tem 38.4 km mas não deixamos de nos impressionar ao passar pela terceira maior de 36.7 Km, uma ponte sobre um pântano (Manchac Swamp Bridge). Para efeito de comparação, a maior ponte do Brasil, a Rio-Niterói, tem “apenas” 13.2 km. Agora quer saber qual a maior ponte do mundo? Tem inimagináveis 164.8km de extensão. Claro, na China.


Depois dessas curiosas travessias eu já me preparava para o tédio de atravessar as planícies do Texas mais uma vez, quando me surpreendi com meu irmão se entretendo enquanto atravessávamos cidadezinhas com cheiro de abandono daquele estado. Entre essas cidades fantasmas o tempo parecia querer assustar na estrada. Não vimos nenhum tornado ou coisa parecida, mas as nuvens as vezes pareciam formar o cenário para tal, e por alguns segundos o céu parecia despencar em torrenciais de água. Mas a tempestade logo ficava para trás e o que víamos era céu azul na frente e um arco-iris no retrovisor. Já eram umas 2 da manhã quando chegamos em Dallas e pudemos contemplar as luzes da civilização vertical sem ter que nos agarrar em um engarrafamento. 
Ainda naquela noite eu já sentia que seria inevitável sair daquela cidade sem visitar uma das atrações mais caras desse país. (Próximo capítulo :P)

Algumas fotos da estrada:







Loja de armas em uma cidadela no meio do nada (texas)

Chegando em Dallas, TX de Madrugada



5 comentários:

  1. Gustavo!
    I love following you and reading your blog. I just wanted to tell you. Remember if you are in LA you have a place to stay.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Thank you! Are you Donna? I really appreciate it!

      Excluir
  2. NÃO TENHO PALAVRAS PARA DESCREVER TANTAS PRECIOSIDADES!!!

    ResponderExcluir
  3. Bastante interessante o seu post Gustavo e parabéns! Estive recentemente nos Estados Unidos fazendo um intercâmbio em Miami e foi sensacional e inesquecível. No tempo livre do meu curso de inglês em Miami, eu aproveite bastante para conhecer a cidade e viajei às outras cidades como Nova York, Boston e Los Angeles e as estradas são perfeitas. Vale a pena viajar aos Estados Unidos e viajar de carro às outras cidades pois as belas paisagens e as próprias cidades são fascínios indescritíveis. Eu estudei em uma escola de inglês em Miami no centro da cidade chamada Sprachcaffe e fiz ótimas amizades com pessoas de todo o mundo. Optei por fazer o curso associado à hospedagem, alimentação e atividades de lazer e foi bem mais barato e tranquilo, eu somente me concentrei na aprendizagem do idioma e nas minhas viagens pelos Estados Unidos. Fica aqui também a dica da escola onde estudei http://www.sprachcaffe.com/portuguese/study_abroad/language_schools/miami/main.htm

    ResponderExcluir